sábado, 29 de abril de 2017

Resenha: Os 13 Porquês (livro)

Os 13 Porquês - Jay Asher - CapaTítulo: Os 13 Porquês

Autor: Jay Asher

Editora: Ática

Número de páginas: 256

Ano: 2009

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Inicialmente não achei Os 13 Porquês isso tudo. Era um bom livro, mas as primeiras gravações não tinham sido tão boas e convincentes. Mas tudo começa a melhorar aos poucos, até chegar ao ponto que as histórias lhe deixam de boca aberta. Os dramas vão ficando mais profundos e vamos compreendo mais Hannah. Isso acontece ainda no começo, antes da metade do livro. Também não me lembro de ter lido um livro do tamanho deste tão rápido. Acabei rapidinho, em apenas 4 dias!

Os 13 Porquês conta a história de Hannah, que antes de cometer suicídio (isso não é spoiler!) deixa gravado 13 fitas com histórias que contribuíram para essa sua decisão. As fitas são endereçadas às pessoas que fazem parte das histórias contadas, que depois de escutarem devem passar adiante para a próxima pessoa da lista.

O livro é muito bom, muito bom mesmo. Enquanto eu lia, ficava surpreendido com as descobertas, acho que tanto quanto Clay ficava (com a diferença de que suas emoções estão sendo diretamente afetadas pelo que ele escuta, já que ele tinha ligação com Hannah). A sensação é de estar lendo o diário de Hannah porque ela conta tudo o que se passou com ela. Ela conta os seus segredos e os segredos das pessoas à sua volta. Algumas histórias são surpreendentes, e outras você só consegue compreender se se colocar no lugar de Hannah e tentar entender seus sentimentos diante de tudo o que estava acontecendo. No fim de tudo você percebe que Hannah cometeu suicídio não pelos motivos em si, mas por toda a pressão que ela sentia devido aos fatos ocorridos. Ocorreram coisas sérias na vida de Hannah, e outros acontecimentos podemos até não considerar tão sérios assim, mas a verdade é que cada um tem uma forma de reagir aos mesmos eventos, e por isso devemos ficar atentos com quem estamos lidando, para não magoar ninguém. Como o livro mostra, o resultado pode ser bem ruim. Hannah tirou a vida porque não aguentava mais ser chamada do que não era, ser tratada de forma diferente, ser ignorada e não ter nenhum amigo de verdade com quem contar. Às vezes ela não se abria (como aconteceu no caso Clay), mas porque ela já estava cheia de problemas, já tinha passado por muita coisa e tinha medo de se aproximar de pessoas novas e ter uma nova decepção. Eu entendo isso, é uma forma automática de se proteger contra futuros problemas baseado nos problemas que você já teve no passado. O livro também mostra que é importante procurar ajuda profissional. Às vezes você tenta procurar ajuda com pessoas conhecidas, mas elas não sabem lhe ajudar porque não estão preparadas para isso, como aconteceu com Hannah. É necessário que essa pessoa que esteja passando por tantos problemas na sua vida, que se sente sob pressão o tempo todo, e que não tem amigos com quem contar, procure ajuda médica. Primeiro, antes de tudo, você deve reconhecer que está passando por problemas e ter vontade de acabar com eles. Depois você deve procurar a ajuda de um psicólogo e se abrir para que ele possa lhe ajudar. Se Hannah tivesse feito isso, talvez não tivesse cometido suicídio.

Mas a mensagem mais importante do livro, não é só o de procurar ajuda, e sim de sabermos que não podemos agir do jeito que quisermos com as pessoas, e que não devemos ignorá-las, porque isso pode prejudicá-las psicologicamente, o que sempre (SEMPRE!) é ruim.

Chegando ao final deu para ter uma ideia melhor de que não foi necessário grandes motivos no fim de tudo, mas apenas o acúmulo deles, mesmo que pequenos. Também deu para entender o comportamento de uma pessoa depressiva. O livro sugere em seu final, através da atitude de Clay, que ao identificar uma pessoa com sintomas depressivas, que se aproxime dela, para evitar o pior. Isso é o que devemos fazer, mas de forma sincera, para que realmente possamos ajudar aos outros.

A narração do livro é feita por Clay, um garoto que foi apaixonado por Hannah e recebe as fitas. A narração das gravações de Hannah e a narração das sensações e lembranças de Clay acontecem ao mesmo tempo, de forma entrelaçada. Nunca tinha lido um livro assim. É diferente, e dá um aspecto original ao livro de Jay Asher. Por causa dessa característica você tem que ler atentamente, para não se confundir e misturar as narrações. Em alguns momentos a narração paralela de Clay atrapalha um pouco, como quando ele diz para onde está andando ao mesmo tempo em que ouve as gravações, mas às vezes é de grande ajuda, porque ele complementa a narração de Hannah e em vários momentos é o responsável por deixar um tom de suspense na história, por só ir revelando as coisas aos poucos. Especialmente nos últimos capítulos, onde dá para ver o quanto Clay se importava com Hannah, e o quanto ele consegue ver Hannah se afundando cada vez mais no seu estado depressivo pré-suicida, mas dessa vez devido aos seus próprios erros. Nesses momentos dá para entender os dois lados. Mas não existe o lado certo e o errado. Existe apenas o lado mais fraco, que precisa de ajuda.

Nota:



quarta-feira, 26 de abril de 2017

Resenha: Logan

Logan - PôsterTítulo Original: Logan

Título Nacional: Logan

Direção: James Mangold

Gênero: Ação, aventura, ficção científica

Duração: 2h17min

Estreia: 2 de março de 2017

 

 

 

 

 

 

Vi muitos elogios a Logan. Todo mundo disse que esse era o filme definitivo do Wolverine, o filme que os outros deveriam ter sido mas não foram. Quando assisti, vi um filme com arco dramático forte, mas não forçado, com muitos tiros, lutas e sangue, se passando em 2029, uma época em que todos os mutantes estão mortos, e os que restaram são caçados. Mas o filme é só isso mesmo o que eu acabei de descrever. As lutas e as cenas de ação são boas? São sim, mas também não achei essa coisa magnífica e diferente que todos acharam. Na verdade achei parecidas com as de Wolverine: Imortal. O primeiro filme do Wolverine é mais fraco na ação, mas o segundo já tem cenas mais fortes. Você já vê Wolverine matando, e enfiando as suas garras no coração e na cabeça das pessoas. A diferença do segundo filme para este, é que neste filme esse tipo de cena é mais exposto e frequente, por não ter a limitação da classificação indicativa de 12 anos. Também tem muitos palavrões, para mostrar que ele é um filme com classificação maior. Pelo menos esse tom combina com o personagem. Outra diferença, é que apesar dos dois filmes partirem da premissa de um Wolverine mais fraco e sem o seu fator de cura, este filme é mais dramático, porque Logan não só está perdendo o seu fator de cura, como também está mais doente, mais velho e mais fraco. Mas de um modo geral a violência típica do Wolverine já estava presente no filme anterior. Neste filme ele só foi ampliado.

Não me lembro de ter ouvido uma trilha sonora marcante durante o filme, nem mesmo aquela música do trailer, que todo mundo gostou. Os sons mais frequentes nas cenas são das garras entrando e saindo da carne das pessoas, de tiros e de gritos, principalmente de Laura, a X-23. Apesar dessa falta de uma trilha sonora para colocar no fundo, o filme não fica parecendo parado, porque na verdade ele tem muito ritmo. Então termina que uma trilha sonora não fez falta.

Sobre Laura, eu gostei dela. É uma menina grossa e com maus modos, sendo muito parecida com Logan, mas ao mesmo tempo mostra que é só uma criança, e James Mangold teve o cuidado de mostrar isso numa cena. As cenas de luta dela são muito boas.

SPOILER: Uma cena que demonstra a parte infantil de Laura e ao mesmo tempo mostra o seu lado mais brutal é quando ela está brincando no cavalinho. Essa é a cena a qual me referi no parágrafo anterior. Outra cena dela que eu gostei é quando ela dá um murro na cara de Logan depois de ser contrariada. kkkkk

Ela tem uma relação estranha com Logan, mais por causa dele do que dela, mas mesmo assim ela vai deixando crescer um sentimento de filha em relação a ele, mas tudo isso secretamente, porque assim como Logan, ela não é muito de demonstrar sentimentos (mas também não é de ferro). Foi uma personagem bem construída e seria bom ver mais dela no futuro, principalmente se fosse junto com aquelas outras crianças mutantes do seu grupo.

A fotografia é boa e prevalece os tons de amarelo, para dar a sensação de seca e momentos difíceis, o que funciona.

Hugh Jackman está com uma boa atuação nesse filme. Fez bem o papel da pessoa cansada e doente. Outro ator com boa atuação é Patrick Stewart, que faz Charles Xavier. Ele deixa a sua postura séria e analítica, de quem sabe de tudo e manda em tudo, para viver um idoso comum: fraco, velho e frágil, com problemas na memória e com grande dependência de Logan.

SPOILER: O final é triste, mas acaba de vez com a saga do Wolverine, lhe dando um final, da mesma forma que também termina a saga do restante dos antigos mutantes que ainda estavam vivos. Foi também o final para Hugh Jackman, que fez um filme de qualidade, que agradou ao público e a crítica, e se despediu do seu personagem em grande estilo. Agora, se a Fox quiser continuar a usar o Wolverine, ou deverão fazer um reboot, ou contratar outro ator para substituir Hugh Jackman. Mas o ideal mesmo seria continuar a história de onde parou e usar a X-23.

Nota:



segunda-feira, 24 de abril de 2017

Resenha: Biblioteca de Almas

Biblioteca de Almas - Ransom Riggs - CapaTítulo: Biblioteca de Almas

Autor: Ransom Riggs

Editora: Intrínseca

Número de páginas: 416

Ano: 2016

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A diferença entre este livro e o anterior, Cidade dos Etéreos, já começa pelo nome: “Biblioteca de Almas”, que é um nome mais macabro, e que dessa vez tem a ver com a história, enquanto o nome “Cidade dos Etéreos” não tem a ver com a história do segundo livro. Outra coisa que o nome mostra, mas que só descobrimos depois de ler o livro, é que neste livro existe um aprofundamento da mitologia do mundo dos peculiares, surgindo novos conceitos e ambientes. Eu não tinha gostado tanto de Cidade dos Etéreos porque ele tinha perdido o suspense do primeiro livro e tinha virado uma história genérica de aventura. Nesse terceiro livro, ele ainda continua sem o suspense do primeiro livro, que dava algum medo, tendo apenas o suspense natural das partes de ação e aventura em que os personagens correm perigo. Em compensação, ele apresenta novos elementos do mundo dos peculiares, o que faz com que sua história não fique tão rasa e genérica quanto a do livro anterior, e que traga algo de novo e importante. Tudo isso faz Biblioteca de Almas ser melhor que o segundo livro, mas não melhor que o primeiro.

Um ponto negativo é que esse livro continua a ter aquelas soluções fáceis que aparecem no momento em que os personagens mais precisam. Esse é um ponto negativo que tinha em Cidade dos Etéreos, e que continuou tendo nesse livro. A diferença é que a história desse livro é um pouco mais complexa, o que não deixa isso tão óbvio assim, mas às vezes você vê bem a solução fácil encontrada pelo autor.

SPOILER: Exemplos de momentos com soluções fáceis: o livro começa com Jacob falando na língua dos etéreos do nada, quando está prestes a ser comido por um. E depois ele consegue controlar apenas esse etéreo, mandando ele fazer tudo o que ele quer, mas outros etéreos ele não consegue controlar (sempre de modo conveniente de acordo com o andamento a história). Quando a história precisa de mais força, do nada, só com um sonho (a mesma coisa aconteceu antes dele falar na língua dos etéreos pela primeira vez), ele ganha novos poderes e agora já consegue controlar todos os etéreos que quiser. Outro exemplo é na luta dos peculiares contra os acólitos. No momento em que os peculiares estão perdendo, Bentham surge do nada com seu urso e começa a lutar também.

Outra característica do livro anterior que permanece nesse é querer colocar características clichês de filmes de suspense para que o leitor imagine a cena (como por exemplo “o som do vento” num local desértico para deixar todos nervosos). É como se Ransom Riggs tivesse escrevendo o livro já pensando em sua adaptação para o cinema e descrevendo como gostaria que aquela cena ficasse.

Outra coisa que não gostei é que não é só o nome do livro que é macabro, mas várias coisas na sua história também, como o final, com a luta daqueles seres. Dá para imaginar eles de modo feio e diabólico pela descrição do livro. Não sei se isso tudo era realmente necessário. Parece que foi um esforço do autor em querer acabar o livro em grande estilo numa luta épica.

SPOILER: O final só sugere o que vai acontecer, mas não deixa claro o suficiente. A partir de certo momento do livro comecei a imaginar que algo aconteceria para que todos pudessem ficar juntos e felizes para sempre, fazendo com que Jacob pudesse ficar com seus pais e com seus amigos peculiares. Só não sabia como isso iria acontecer. Para todos os efeitos, é o que acontece. A Srtª. Peregrine diz que eles vão passar umas férias na casa de Jacob, mas ao mesmo tempo parece que ela está tomando o comando da casa para ela mesma, inclusive em relação aos pais de Jacob (que precisam ser “mantidos em rédea curta”). E depois a conversa de Jacob com Emma termina com um “temos tempo”, como se eles realmente fossem ficar ali no século XXI para sempre. Isso não ficou muito claro para mim. Outra dúvida que eu tive é: mesmo a contagem do tempo tendo sido reiniciada para todos os peculiares, por que a Srtª. Peregrine não criou uma nova fenda no tempo, mesmo que fosse no século XXI? Até porque de qualquer maneira, se eles ficassem ali, um dia todos iriam envelhecer e morrer, e os peculiares têm suas fendas no tempo para que continuem sempre vivendo. Outra: no primeiro livro a Srtª. Peregrine quer afastar os pensamentos das crianças sobre o século XXI, dizendo que não tem nada demais nos tempos atuais, mas agora ela faz questão de viver com Jacob neste século. Por que essa mudança de pensamento? No primeiro livro, também, as crianças não podiam sair da fenda e ficar tanto tempo fora dela para não envelhecerem, mas nesse livro Emma e Srtª Peregrine saem para levar Jacob até os seus pais, e ainda dizem que não envelhecem tão rápido assim. Isso não soa contraditório?

Enfim, Bibliotecas de Almas tem suas falhas, mas de um modo geral ficou melhor que o livro anterior. Só não supera o primeiro.

Leia também:

Nota:



segunda-feira, 17 de abril de 2017

Resenha: Cidade dos Etéreos

Cidade dos Etéreos - Ransom Riggs - CapaTítulo: Cidade dos Etéreos

Autor: Ransom Riggs

Editora: Intrínseca

Número de páginas: 384

Ano: 2016

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Cidade dos Etéreos continua a história exatamente onde O Orfanato da Srta. Peregrine Para Crianças Peculiares parou. Os acontecimentos, que duram cerca de três dias e são contados no livro inteiro, são cheios de aventuras e situações intrigantes.

Uma diferença entre este livro e o anterior é que o suspense diminuiu um pouco, e a característica sombria do primeiro livro, que até causava um medo, nesse segundo livro não existe. Isso foi um pouco decepcionante porque é justamente pelo suspense e pela narrativa sombria que o livro anterior era tão bom. Talvez isso tenha acontecido porque eu já estava acostumado com os personagens, com os monstros e com o mundo em que tudo se passa, perdendo a característica da novidade e surpresa, porque neste livro não existem grandes revelações, e não existem coisas novas que nos deixam de boca aberta. Alguns novos personagens surgem, mas você não é surpreendido com eles, porque eles condizem com a narrativa e com o universo construído por Ransom Riggs.

Mas também talvez seja pela mudança na forma de escrever do autor. Eu percebi que no primeiro livro ele criava histórias a partir das fotos, enquanto no segundo as fotos apenas ilustram as histórias que ele já tinha escrito, o que faz sentido porque depois de um livro onde tudo já está estabelecido, é natural que ele já tenha um caminho pronto para o qual os personagens devem ir. E no final do livro tem uma entrevista com Ransom Riggs em que ele confirma isso. Outra coisa que pode ter tirado esse suspense é o autor ter ficado apenas dentro do que já foi estabelecido no livro anterior. Ele expande, mas nada causa surpresa ou espanto.

Eu estou lamentando por isso porque para mim essas eram as principais características do primeiro livro, e que foram perdidas neste, o que lhe transformou em uma aventura genérica com adolescentes. Outro ponto é que nesse livro as resoluções das tramas aparecem sempre no momento certo, porque é conveniente que seja assim. A ajuda sempre aparece no momento em que os personagens mais precisam, e os grandes mistérios são resolvidos tão facilmente, que até perde a graça. Acho que faltou mais criatividade para resolver as tramas, porque tudo ficou muito dado, com o intuito de avançar para a próxima aventura.

Mas não estou dizendo que o livro é ruim. Ele é bom e suas aventuras também. O livro tem falhas e não me agradou em tudo, mas consegue prender a atenção, tendo uma narrativa rápida, que não enjoa e nem cansa, lhe mantendo sempre interessado em continuar lendo para saber o que vai acontecer.

Nota:



quinta-feira, 23 de março de 2017

Resenha: Fome de Poder

Fome de Poder - Pôster nacionalTítulo Original: The Founder

Título Nacional: Fome de Poder

Direção: John Lee Hancock

Gênero: Biografia, drama

Duração: 1h55min

Estreia: 9 de março de 2017

 

 

 

 

 

Frase de destaque: Nada neste mundo supera a boa e velha persistência. Talento não supera. Nada mais comum que talentosos fracassados. Genialidade não supera. Gênios não reconhecidos é praticamente um clichê. Educação não supera. Porque o mundo é cheio de tolos educados. Persistência e determinação, apenas, são poderosas.

Atenção: esta resenha contém spoilers!

É muito interessante assistir a um filme como Fome de Poder, que conta uma história real de crescimento e superação no cruel mundo dos negócios. Neste filme é contada a história da McDonald’s, com surgiu e seu crescimento. Quando você vê o funcionamento do primeiro restaurante explicado pelos seus criadores, você vê a enorme inovação que eles fizeram. O sistema de fast food, que hoje é comum para a gente, não existia em 1940 e os irmãos McDonald criaram esse sistema, criaram ferramentas e o layout que o restaurante deveria ter para que o trabalho fosse contínuo, padronizado e com menos custos. Foi um modelo muito bem sucedido, como vemos hoje. Claro que isso não funcionou de primeira, como o filme mostra, da mesma forma que o sistema de franquias e o crescimento também não deram certo rapidamente. Tanto os irmãos McDonald como Ray Kroc passaram por maus momentos até conseguirem consolidar as suas ideias e fazer as pessoas aceitarem.

Sobre Kroc, ele é um exemplo de que devemos correr atrás daquilo que acreditamos. Acho ele bem exagerado, porque esse seu jeito prejudicou o seu casamento e sua relação pessoal com Rick e Mac. Ele mesmo disse que se visse um rival se afogando colocaria uma mangueira na boca dele. Ele era extremamente competitivo para poder atingir os seus objetivos. A persistência, falada por ele no final do filme, é certamente uma qualidade que pode nos levar a atingir os nossos objetivos, mas na minha visão Kroc foi muito duro e excessivo nas suas ações. Os irmãos McDonald não tinham esse desejo forte de competição e crescimento. Eles queriam sim crescer, mas não da mesma forma que Kroc. O filme mostra eles como pessoas amigáveis, simples e que estão satisfeitos com o que conseguiram. Eles criaram aquele modelo de fast food, e aquilo funcionava, por isso eram contrários às mudanças que Ray propunha porque se afastava do modelo original criado por eles. Eu entendo o ponto de vista deles. Quando você cria algo que dá certo e vê outra pessoa querendo mudar as coisas, você não gosta. Por outro lado, se eles não fossem tão conservadores e acompanhassem essa fome de poder que Ray tinha, eles não teriam ficado para trás e teriam crescido junto com ele. Poderiam discordar da forma como Kroc conduzia os negócios, mas estariam ricos, eles e seus descendentes, porque querendo ou não, mesmo com seus defeitos, Kroc sabia negociar. Ou então, na hora da venda, deveriam ter formalizado tudo, para que recebessem a sua participação nos negócios, ao invés de terem caído na lábia de Kroc.

Kroc, apesar da sua qualidade de persistência, de controle e de negociação, traiu os irmãos McDonald. Ele criou uma empresa imobiliária para vender as novas franquias, sendo que as franquias não eram só dele, e sim também dos irmãos. Ele estava começando a ganhar dinheiro a mais por fora do acordo firmado usando o nome “McDonald’s”, que não lhe pertencia. Ele deixa isso claro no filme quando diz que “contratos são como corações, foram feitos para serem quebrados”. No final do filme dá pena de Rick e Mac. Mesmo com o cheque, eles estavam entristecidos porque foram obrigados a fazer aquilo. Foram obrigados a se desfazer do nome do seu restaurante, a se desfazer de um sonho antigo que eles lutaram para construir e a ver o seu sistema, que eles mesmos criaram, e o seu nome, estarem nas mãos de outra pessoa, que não tinha nada a ver com a história e criação do McDonald’s, mas se apossou de tudo como se fosse seu. Kroc comprou o nome “McDonald’s” porque era o que devia fazer para ter os plenos direitos, mas ele já tinha tomado a McDonald’s para si antes. Esse foi o primeiro golpe, e o segundo foi a promessa do pagamento de 1% de participação nos negócios que não foi formalizado, e por isso nunca pago. Até hoje o McDonald’s considera Ray Kroc como seu fundador. Eles citam os irmãos McDonald, mas apenas para dar início à história, e depois todo o destaque vai para Kroc.

Sobre as atuações, Michael Keaton é o grande destaque. Eles está excelente no papel de Ray Kroc. Ele foi redescoberto por Hollywood depois de Birdman, que apesar de eu não achar um bom filme, lhe fez ser lembrado e lhe abriu muitas portas. Ele é realmente um bom ator.

Fome de Poder é ótimo. Em inglês se chama The Founder, que traduzido seria “O Fundador”, que é assim que Ray Kroc se considerou, e é assim que é considerado até hoje. Esse filme mostra que com persistência é possível chegar aos nossos objetivos, independentemente da idade (tem gente que quando vai ficando mais velho começa a dizer “eu não tenho mais idade para isso”, ou “se eu fosse jovem faria”. Esse filme mostra o contrário. Se você querer, é possível). O filme mostra também como a competitividade é forte no mundo dos negócios. É preciso ter muito cuidado na escolha das pessoas com quem vamos trabalhar, a quem vamos revelar nossos segredos, cuidado para não sermos engolidos pelos que estão fora e para os que estão dentro também. O mundo dos negócios é cruel, é cobra comendo cobra. É necessário ter olhos abertos.

Nota:



quarta-feira, 15 de março de 2017

Resenha: O Lar das Crianças Peculiares

O Lar das Crianças Peculiares - Pôster nacionalTítulo Original: Miss Peregrine's Home For Peculiar Children

Título Nacional: O Lar das Crianças Peculiares

Direção: Tim Burton

Gênero: Aventura, fantasia

Duração: 2h03min

Estreia: 29 de setembro de 2016

 

 

 

 

 

Atenção: esta resenha contém spoilers!

O Lar das Crianças Peculiares, adaptação do livro O Orfanato da Srta. Peregrine Para Crianças Peculiares, começa sendo fiel ao livro. Uma pequena mudança aqui e ali, mas ainda fiel. Mesmo assim, desde o seu início eu lhe senti rápido demais. A parte da vida chata de Jacob não foi explorada tão bem, e isso é algo importante para os 3 livros, porque Jacob sempre fica comparando a sua antiga vida chata dentro de uma rotina com sua nova vida, que é cheia de riscos e aventuras. Da mesma forma, a relação de Jacob com seu avô também é muito rápida, não dando para o espectador entender a forte conexão entre Abe e Jacob, como acontece no livro.

Tudo acontece rápido, e de repente Jacob já está conhecendo o orfanato e as crianças peculiares. É a partir daí que começam as decepções com o filme: quando você vê que Jacob já está com os peculiares, se dá conta de que não existe nenhuma tensão no filme. No livro, Jacob passa um bom tempo explorando a casa velha, e a narrativa do livro conta isso com muita tensão. O filme poderia aproveitar não só essa parte, mas também a história do livro inteiro para fazer um bom suspense. A trilogia de livros das crianças peculiares é um universo gigantesco e cheio de detalhes que poderia ser bem explorado e muito bem trabalhado no cinema. O visual do filme é bom? Sim, ele é ótimo, mas não é só de visual que um filme vive. E é decepção em cima de decepção. Transformaram Emma em Olive, e Olive em Emma. O poder de Emma, que é ter chamas, que é algo tão forte e presente no livro ficou com Olive, que usa tão pouco. E Emma é só uma menina que levita e sopra, com sua personalidade estando mais para uma menina doce e educada do que para a menina forte e brava dos livros. Emma e Olive não foram as únicas personagens a serem descaracterizadas no filme. Eles ainda transformaram personagens crianças e pré-adolescentes em adolescentes, e adolescentes em crianças. Qual era o objetivo disso? Para mim não ficou claro.

Depois disso, o ritmo alto da história continua. Assim que o perigo chega Jacob se torna o líder natural do grupo. Ele tem as ideias, a bravura e diz a todo mundo o que fazer. Exatamente o oposto do livro, onde Jacob tem medo de tudo porque o mundo peculiar é novo para ele, e ele ainda está descobrindo. No livro as principais decisões são tomadas por Emma, onde Jacob se apoia e recebe apoio, mas os outros também são bem participativos. Não tem essa de ter um líder do grupo que deixa os outros mais fracos.

E para completar, todo o resto do filme é movido de clichês. Tudo se resolve muito facilmente e os personagens quase não têm esforço para nada. É uma decepção enorme ver um filme que poderia ter sido ótimo se trabalhasse o lado obscuro de tudo, que é tão presente no primeiro livro, e que poderia dar um ótimo suspense. Aquela cena da luta final onde as caveiras lutam contra os etéreos soa bobo e fácil.

No terceiro ato o filme muda completamente a direção do livro, dando uma conclusão à história, mas ao mesmo tempo acabando com uma cena cortada, o que não me fez muito sentido. É como se o diretor, Tim Burton, quisesse acabar a história do filme sem correr o risco de deixar uma ponta e não existir uma sequência, mas ao mesmo tempo deixasse alguma coisa ali para o caso de uma sequência acontecer. Tudo bem que na época em que o filme foi feito só o primeiro livro tinha sido publicado, mas no livro fica claro que a história teria continuação, e se o filme fosse feito de forma organizada e com respeito à obra de Ransom Riggs, eles perguntariam a ele o que aconteceria nos próximos livros para se guiarem melhor na produção do filme. Isso aconteceu na produção de Game of Thrones, onde as duas últimas temporadas da série serão feitas antes dos livros serem publicados. Então R.R. Martin disse o fim que cada personagem deveria ter para que os produtores pudessem se guiar, mudando só a forma que eles farão para os personagens chegarem àquele fim, ou seja, o livro e a série trarão o mesmo fim para os personagens, o que mudará entre eles é só o caminho para chegarem lá. Infelizmente nesse filme não houve esse interesse e cuidado.

Se vai ter outro filme ou não, ninguém sabe, mas sinceramente, é melhor que não seja feito outro, porque se for para fazer mais filmes como esse é melhor que eles nem aconteçam.

É uma pena os atores escolhidos para esse filme, que são bons, como Asa Butterfield e Eva Green, mas que foram desperdiçados pelo roteiro clichê e direção ruim. Quem ainda consegue se destacar mais é Samuel L. Jackson como o vilão do filme, mas ainda assim longe do que poderia ter sido, dado o potencial dos livros (aliás, esse vilão não existe nos livros, ele foi apenas levemente inspirado no vilão original).

Bem, essa resenha toda foi falando da minha decepção com o filme em relação ao livro, mas analisando ele como filme em si não chega a ser tão ruim assim. Ele ainda é muito clichê, tem problemas com um ritmo muito acelerado e com tudo se resolvendo muito rápido, mas também não é um filme péssimo. É um filme para se divertir e que deve agradar até as crianças maiores, já que não é muito pesado. Ele tem algumas cenas monstruosas e macabras, mas ao mesmo tempo tudo é retratado de uma maneira leve. Dá para passar o tempo com ele.

Mas agora só um adendo: vi algumas críticas por aí dizendo que esse é um ótimo filme de Tim Burton, o melhor desde tal época, e outros ainda elogiando a sua criatividade para a criação dessas crianças peculiares e dos seres. Claro, todo o visual está incrível, e acho até uma pena ele ter sido desperdiçado num filme com clima tão diferente dos livros, mas vale lembrar que nada disso foi criação de Tim Burton. Todos os conceitos e todo esse universo das crianças peculiares vieram de Ransom Riggs, autor dos livros. Inclusive, nos livros tem muitas fotos para ajudar o leitor a imaginar os personagens e as situações.

Leia também:

Nota:



sábado, 11 de março de 2017

Resenha: Até o Último Homem

Até o Último Homem - Pôster nacionalTítulo Original: Hacksaw Ridge

Título Nacional: Até o Último Homem

Direção: Mel Gibson

Gênero: Drama, guerra, biografia

Duração: 2h20min

Estreia: 26 de janeiro de 2017

 

 

 

 

 

Vi muita gente falando que Até o Último Homem era um filme forte porque era de Mel Gibson, mas não achei tão forte assim. A Paixão de Cristo é muito pior. Em Até o Último Homem o máximo que aparece são tripas e pernas abertas, além de pessoas sendo baleadas na cabeça. Mas não é tão ruim quanto parece, até porque não é assim o filme inteiro.

O filme, que é baseado numa história real, fala muito de Deus, porque é a crença de Desmond, o personagem principal, e a história inteira do filme gira em torno disso. Vi uma crítica de cinema falando mal desse aspecto do filme, dizendo que ela não gostou por aparecer tantas cenas de Desmond lendo a Bíblia. Mas, ora, se a fé em Deus de Desmond foi o seu maior causador de problemas e ao mesmo tempo foi o que lhe motivou a fazer tudo o que ele fez, e também foi quem lhe deu a força para ajudar os outros mesmo depois de tudo o que ele tinha passado, como não falar sobre Deus e sua religião no filme? Esse filme seria falso e hipócrita se o personagem principal fosse mostrado apenas um herói altruísta que resolveu fazer tudo aquilo apenas pelos seus ideais abstratos. Seria errado mostrá-lo como um homem forte e bravo que fez o que achava que era certo e pronto. Tudo o que aconteceu com Desmond, tudo o que ele fez e deixou de fazer foi por causa da sua fé em Deus. Tudo gira em torno disso, então sim, deve ser contado e mostrado no filme, e deve ter o devido destaque, que foi o que o roteiro de Andrew Knight e Robert Schenkkan e a direção de Mel Gibson fizeram.

Você percebe a diferença entre a primeira parte, que apresenta o personagem e sua família, e introduz o seu romance com Dorothy, e a segunda parte, que é a guerra. Na segunda parte você vê que o medo fica estampado na cara dos soldados e depois a única coisa que tem no filme são sons de tiros. Bem real, porque é assim que é na guerra. Depois ele para um pouco com o som intenso de tiros para dar espaço aos diálogos e à continuação da história.

A direção é muito boa. O visual e a fotografia também são muito bons. Existem alguns momentos clichês, tanto nos diálogos quanto nas cenas em si, mas não são muitos (ainda bem). Andrew Garfield está ótimo no papel, e deveria ter ganhado o Oscar de melhor ator, ao invés do sem sal do Casey Affleck.

Gostei do filme, lhe achei muito bom. Foi feito um belo trabalho aqui, e pelo que podemos ver nos vídeos que aparecem no final do filme com as pessoas reais dando seus depoimentos (parece que essas imagens foram extraídas de um antigo documentário), o filme foi bem fiel à história real, o que é ótimo.

Nota: