sábado, 15 de julho de 2017

Resenha: Moonlight – Sob a Luz do Luar

Título Original: Moonlight

Título Nacional: Moonlight – Sob a Luz do Luar

Direção: Barry Jenkins

Gênero: Drama

Duração: 1h51min

Estreia: 23 de fevereiro de 2017








Atenção: esta resenha contém spoilers!

Não entendi o sucesso de Moonlight – Sob a Luz do Luar, e também não entendi qual o objetivo do filme, do que ele se trata. É sobre uma comunidade de negros que vende e usa drogas? É sobre um menino bonzinho, e que por ter comportamento diferente dos outros meninos, sofre bullying e depois de adulto vira um grande traficante? É sobre um romance gay? Para mim pareceu que o filme atirou para todos os lados, sem se focar em uma coisa só. O filme acabou e eu disse: “É isso?”. Ele não merecia ter ganhado o Oscar de melhor filme de 2016. E Mahershala Ali, que eu acho um bom ator, aqui não me surpreendeu, e para mim não foi um grande papel a ponto dele também ganhar um Oscar de melhor ator coadjuvante. Não que ele esteja ruim. Ninguém está, todos tem atuações boas, principalmente os três atores que fazem as diferentes fases da vida de Chiron, o personagem principal, que conseguem dar uma só personalidade ao personagem (geralmente, quando atores diferentes fazem diferentes fases de um personagem, a personalidade de cada fase do personagem termina ficando diferente, então esse filme teve uma boa direção por não deixar que isso acontecesse). Mas as atuações são as únicas coisas que eu posso chamar de boas nesse filme. Todo o resto é bem sem graça, bem sem sentido, sem pé nem cabeça. Como eu disse antes, é um filme sem objetivo, um filme que pareceu que atirou para todos os lados.

Nota:




quarta-feira, 12 de julho de 2017

Resenha: Um Limite Entre Nós

Título Original: Fences

Título Nacional: Um Limite Entre Nós

Direção: Denzel Washington

Gênero: Drama

Duração: 2h19min

Estreia: 2 de março de 2017

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O início de Um Limite Entre Nós é bem parado. Apenas conhecemos Troy, o personagem principal, muito bem interpretado por Denzel Washington, seu amigo Bono e sua esposa Rose. Durante uma boa parte do começo do filme só vemos conversas entre esses três personagens, que mudam pouco de cenário, e em que o movimento da trama e a mudança de assuntos se dá com a saída e a entrada de personagens, quase como uma peça de teatro (porque esse filme foi baseado numa peça). Essa parte é a mais chata, só com várias conversas de temas variados, com Troy dominando toda a conversa com sua maneira de falar alto e alegre e contando histórias. Mas mesmo assim demora para o filme engrenar e mostrar a que veio.

É só a partir das revelações que são feitas acerca de Troy que as coisas começam a ficar mais interessantes e o filme ganha ritmo. Mas depois de assistir ao filme inteiro você percebe que aquele início mais demorado foi necessário, porque o filme todo gira em torno de Troy, que não é um personagem qualquer feito superficialmente, mas sim um personagem complexo de muitas facetas. Conhecemos o Troy amigo, o Troy marido, o Troy trabalhador e o Troy pai. São essas facetas, que são diferentes entre si, que fazem o personagem complexo. É necessário uma longa apresentação dele e da sua relação com as pessoas que lhe rodeiam para que você entenda mais os próximos acontecimentos. Não tem como justificar nada, não tem como aceitar nada numa boa, e é por isso que Um Limite Entre Nós é incrível. É muito fácil criar um personagem clichê, superficial e que tem seus problemas resolvidos facilmente. Mas é difícil criar histórias originais e complexas hoje em dia. Nisso August Wilson, o roteirista do filme, e também o autor da peça original, está de parabéns, assim como Denzel Washington, que além de atuar no papel principal, também é o diretor. Um Limite Entre Nós mostra os pontos positivos e negativos de um personagem sem tratá-lo como o mocinho ou o vilão, e sim apenas como uma pessoa comum, que tem sentimentos, qualidades e defeitos. Ele mostra que apesar do personagem tentar se justificar e achar que está fazendo o melhor sempre (ou achando que não deve mais nada a ninguém porque já faz o suficiente em trabalhar e sustentar todos), ele termina ignorando que as outras pessoas a sua volta também têm suas vidas, seus problemas, seus limites e suas vontades. O filme expressa isso de forma direta através de um diálogo de Rose, e indiretamente através de Cory, o filho.

É por tudo isso que Um Limite Entre Nós é um filme tão bom. Viola Davis está ótima no filme. Ela consegue entregar mais de si quando o filme deixa a longa fase de apresentação dos personagens e entra numa parte mais dramática, onde ela mostra com mais força a sua atuação. Ela ganhou o Oscar de melhor atriz coadjuvante merecidamente. Denzel Washington também está ótimo no filme e merecia ganhar alguma premiação. Só não gostei muito do final do filme, mas nada que o estrague.

Nota:




segunda-feira, 10 de julho de 2017

Resenha: Okja

Título Original: Okja

Título Nacional: Okja

Direção: Joon-Ho Bong

Gênero: Aventura, ficção científica, drama

Duração: 1h58min

Estreia: 28 de junho de 2017









Atenção: esta resenha contém spoilers (leves)!

O início de Okja parece com um filme infantil, mostrando a amizade de uma menina com seu animal de estimação. Os dois primeiros atos me lembrou muito Meu Amigo, o Dragão, com a diferença de que, apesar de Meu Amigo, o Dragão ser um filme bem dramático, é um filme infantil e tem um tom de fantasia, enquanto que Okja parece mais real e sério, desde o começo. Okja não é um filme para crianças. Apesar de se tratar de um animal que não existe e de ter uma protagonista criança, com uma trama que de longe é parecida com a de um filme infantil, este filme mostra um futuro distópico em que falta alimentação para a população mundial, e por isso novos animais têm que ser produzidos em laboratório para atender a demanda. Essa realidade e seriedade do filme fica ainda maior nos últimos 40 minutos, quando vemos a indústria de carne. As cenas não são forçadas e não induzem o espectador ao choro, mas você sente o peso das cenas e o “drama” dos animais ao longo desses últimos 40 minutos. Não são mostradas cenas fortes para causar pavor nas pessoas. É tudo muito real e frio. Dá pena e ver os animais. E deve ser exatamente essa a proposta do filme, fazer o espectador refletir sobre de onde vem o seu alimento, e fazer uma crítica às indústrias alimentícias de carnes, que visam só o lucro e maltratam os animais.

A atuação de Ahn Seo-hyun, que faz Mija, é muito boa. Você acompanha durante o filme os seus momentos de desespero, alívio, preocupação e determinação. A sua atuação nos ajuda a imergir nos sentimentos da personagem e no clima do filme. Pelo que eu vi na sua filmografia, ela é uma atriz de muitos trabalhos na Coreia do Sul, seu país de origem. Tilda Swinton também está bem (como sempre). O roteiro é bem amarrado, com ritmo (a partir do segundo ato), traz bons diálogos e apresenta bem os personagens. A direção de Joon-Ho Bong também é muito boa, assim como a fotografia. O único ponto negativo na parte técnica do filme é quanto a tradução dos diálogos entre a Mija e os americanos. Às vezes cada um fala na sua língua e todo mundo se entende, mesmo antes dela aprender inglês.

Okja é um bom filme, que nos faz refletir. Já li comentários de pessoas que viraram vegetarianas depois de assistir esse filme, e acho que muita gente pode mesmo tomar essa decisão baseado no que o filme apresenta, principalmente os mais sensíveis.

Nota:




sábado, 8 de julho de 2017

Resenha: Freaks and Geeks – 1ª temporada




Freaks and Geeks é uma daquelas ótimas séries que foi cancelada antes mesmo de completar a primeira temporada e que todo mundo se entristece por isso, porque a série não merecia. A série é sobre dois grupos de amigos adolescentes, os freaks, que são aqueles que poderíamos chamar de “os bagunceiros da sala”, e os geeks, que seriam “os nerds da sala”, e se passa no início dos anos 80. Essa é uma série sobre o comportamento adolescente, que aborda todas as questões e problemas de forma profunda e realista, sempre mostrando um motivo por traz de algum comportamento, e mostrando a complexidade dos sentimentos dos adolescentes.

O mais legal dessa série é que não existe em momento nenhum a estereotipação dos personagens. Eles são personagens complexos, profundos e algumas vezes problemáticos, muitas vezes tendo em sua família e em sua casa o motivo de serem assim. Todos eles têm seus problemas e defeitos. A série humaniza todos esses personagens. Além de mostrar que nem todos são somente aquilo que mostram ou aparentam ser, ela ainda mostra que às vezes nos enganamos com as pessoas só por aquilo que conhecemos. Como por exemplo, a série nos faz torcer pelo acontecimento de 2 casais, mas quando eles finalmente acontecem, percebemos, junto com os próprios personagens, que como casal eles não combinam. E para mostrar que eles não combinam não existe muita enrolação, tudo é mostrado na hora. A série valoriza muito a relação humana entre os personagens, porque é sobre isso que ela se trata. Por isso ela não fica fazendo suspense para os próximos episódios. Cada episódio conta uma história, que tem início, meio e fim. Mesmo que algo fique pendente para o próximo episódio, você percebe uma finalização do roteiro ali. Quando algo não dá certo, ele mostra na hora.

O começo da série foca mais na família Weir, em que os principais são Lindsay e Sam, mas aos poucos os demais personagens vão ganhando o seu destaque, e eles também vão tendo episódios que falam mais sobre si e suas famílias. Até mesmo os personagens coadjuvantes, aqueles que geralmente nunca são desenvolvidos pelas séries, aqui têm o seu espaço e o seu momento de mostrar um pouco mais de si, da sua vida e dos seus problemas.



Acho também que essa é uma ótima série para pais e professores assistirem para entender mais da complexidade do comportamento dos adolescentes, sem querer generalizá-los ou achar que estão fazendo as coisas por implicância. A série trata de relação entre amigos, relação entre pais e filhos de diferentes tipos de família, traição, romance, chegada de um namorado novo da mãe, castigo dado pelos pais, perdas, a descoberta de uma nerd de que pode se divertir mais, da responsabilidade pelo que faz, frustração, preocupação dos pais, e tantos outros.

Comparando com Anos Incríveis, eu diria que existem semelhanças, mas elas são poucas. Anos Incríveis é mais romântico e se trata da descoberta da adolescência e do amor. Existem episódios que falam do relacionamento entre amigos, entre família, entre namorados e entre os outros alunos da escola, mas são episódios mais únicos, e que sempre giram em torno dos temas da amizade e do romance. Anos Incríveis é ótimo, e não é melhor e nem pior que Freaks and Geeks, não tem como comparar. Eles são séries com objetivos diferentes. Freaks and Geeks está mais focado no comportamento adolescente em si e em todo o tipo de relacionamento que os envolvem, enquanto Anos Incríveis fica mais no campo da amizade e romance.

Freaks and Geeks, mesmo com apenas 18 episódios, é uma série rica em acontecimentos e discussões sobre relacionamentos e comportamento adolescente. Dá para aproveitar e entender muita coisa a partir dessa série. Essa é realmente uma obra prima, que infelizmente, por motivo de baixa audiência, foi cancelada prematuramente, mas goza até hoje de boa fama e recomendações. Seria muito bom se houvesse um reboot dessa série. Se não fosse na TV aberta, que fosse então na TV paga ou na Netflix. Recomendo fortemente que todos assistam.

P.S.: Façam uma pesquisa no Google e descubra que apesar de ser uma série bem curta, o elenco tirou várias fotos juntos. Tem algumas em boa qualidade aqui e outras aqui. E vejam também essas fotos do reencontro deles em 2013.

Nota:




quarta-feira, 5 de julho de 2017

Resenha: Arrow – 5ª temporada




Atenção: esta resenha contém spoilers!

E finalmente a temporada em que Oliver será prefeito. O que será que vai mudar? Na verdade, nada, e daí começa a decepção. Depois da 4ª temporada inteira falando em como ser prefeito poderia ser útil porque Oliver finalmente andaria no lado da luz, vemos que na verdade isso não serviu para nada, e que Oliver é um prefeito bem ruim. Thea mais uma vez se mostrou uma ótima administradora, porque era ela que tomava conta de todos os eventos e que sabia melhor se portar diante dos acontecimentos. Mas se esse fosse o único problema dessa temporada ainda estaria bom.

Como todos resolveram sair do time no final da temporada anterior, menos Felicity, Oliver montou um novo time, muito por pressão de Felicity. Isso ficou muito, mas MUITO forçado, porque Oliver demorou anos para conseguir seus parceiros e para estabelecer um relacionamento de confiança com eles, para agora ir ali na rua recrutar outros vigilantes, revelar sua identidade e fazer eles entrarem no time Arrow. Como se isso já não fosse pouco, ainda colocam Curtis, o cara da tecnologia, como um lutador. Ele teve o seu momento dramático, mas ainda bem que passou rápido e ele continuou com o seu bom humor. Mas, mais forçado ainda é a necessidade (muito desnecessária, para falar a verdade) de Oliver querer uma nova Canário. Primeiro vem aquela menina chata que já tinha aparecido na 4ª temporada, que é nova, tem cara de sonsa, e não tem jeito para ser vigilante (além de ser uma atriz ruim). Depois, não satisfeitos, eles encontram outra, bem quando Oliver disse que acreditava que tinha uma Canário por aí, e então ela aparece, chamada de Dinah (não coincidentemente o mesmo nome de Laurel). Dinah pelo menos é legal, é durona e é uma ótima adição ao time. Mas eu me pergunto: porque não fizeram a primeira Canário Negro assim? Por que tivemos que ver uma Canário primeiro (Sara, que deveria ser a verdadeira Canário Negro), para depois ver uma Canário Negro não muito poderosa e não muito forte, para depois ver uma cópia barata dela, para só então ver alguém capaz de sustentar esse nome merecidamente?

O plot de Quentin é chato como sempre. Ele já passou por várias experiências de perder as filhas, mas nunca aprende a reagir direito. Sempre tem que cair na bebedeira, sempre as pessoas têm que insistir para que ele busque ajuda, para que ele negue, para que depois ele aceite a ajuda, para que finalmente ele volte a ficar bom e seja útil novamente. E a série continua repetindo as histórias. Dessa vez é Thea que faz o papel de filha, já que as outras duas estão ausentes. Pode ser estranho, mas até que funciona.

Falando em Thea, pouquíssimas vezes ela usou o uniforme, e sempre se arrependida depois. Ela também aparece pouco nessa temporada. Tem um momento em que ela passa a ser apenas citada, mas não aparece mais. É uma pena, porque ela era uma ótima personagem, principalmente como Speedy. Arrow nunca soube tratar bem suas personagens femininas, e quando trata bem, elas duram pouco (como Sara, por exemplo). Pelo menos Malcolm, só aparece no final da temporada, senão teríamos mais uma temporada com aquela história de pai querendo proteger a filha que não quer sua proteção porque ele é mau. O que soou estranho é que esse afastamento de Malcolm em momento nenhum foi citado ou justificado, mas só pelo fato dele não ter aparecido, já está ótimo.

Felicity está alegre nessa temporada (ainda bem), depois de ter ficado dramática nas duas últimas temporadas. Ela é um pouco mais desenvolvida no seu lado hacker, o que foi interessante. Desde o início da temporada que vemos uma reaproximação (inicialmente só de amizade) entre ela e Oliver, mas que já nos dava uma dica de que eles poderiam voltar. E no decorrer da temporada isso vai ficando cada vez mais claro, e é o que acontece no final da temporada. Na próxima temporada teremos Olicity de volta. Essa 5ª temporada nos fez torcer pela volta deles de novo porque mostrou eles se dando bem, mas o medo é que Felicity fique dramática de novo na próxima temporada e traga com isso todos os problema de Olicity. Esse é um casal que deveria funcionar muito bem, mas que os produtores e roteiristas erraram. Estragaram Felicity e estragaram um romance que não precisava ser complexo e que poderia dar muito certo com uma dinâmica única (o sério e a bem humorada, o forte e a inteligente).

O vilão pelo menos foi bom, ele foi muito bom. Pelo menos os produtores cumpriam com suas promessas de fazer Arrow voltar às suas raízes com um vilão urbano. Chase é o vilão mais complexo já feito em todas as temporadas de Arrow. Mas esta temporada em si não ficou 100%, e não voltou totalmente à forma que era na 1ª temporada. Ainda existem dramas desnecessários e repetitivos, como o de Quentin e os breves dramas de Curtis e Diggle. Parece que todos os personagens têm um momento de drama só para eles. O mais interessante foi o de Rene, o Cão Raivoso, com sua filha, mas o resto é descartável. Esse é um problema que Arrow pegou e não conseguiu mais se livrar, e mesmo que tente ainda vemos vestígios dele hoje. Na e 2ª temporada tinha dramas sim, mas não eram dramas tão desnecessários e o nível das histórias era outra. Os dramas das duas primeiras temporadas eram algo mais familiar, enquanto agora qualquer personagem pode ter um drama que nem precisa (aquela de Diggle, por exemplo, brigando com a esposa porque o que ela está fazendo é contra a lei não faz o menor sentido, porque ele é um vigilante e isso também é contra a lei – inclusive a esposa dele lhe diz isso em um momento. Ainda bem que isso não dura muito. Parece que os roteiristas não têm o que colocar para encher os episódios e então enchem os personagens de brigas e dramas que não deveriam existir).



Outro drama que não precisava ter era com o Anatoly no presente. Os flashbacks dessa temporada estavam bons, e a dinâmica entre Oliver e Anatoly também. Mas como eles sempre têm que forçar um encontro entre os flashbacks e o momento presente, isso terminou sendo estragado. Não entendi em que momento Oliver deixa de ser o amigo de Anatoly e passa a ser o seu inimigo. Anatoly não ataca Oliver, não lhe atrapalha, não faz nada. É Oliver que lhe procura e então fica com raiva das condições que Anatoly coloca porque são coisas erradas. Mesmo assim faz de cara feia, como uma criança que obedece uma ordem sendo obrigada, e depois vem querer arranjar briga. Ah, por favor Oliver!

Falando em flashbacks, os produtores garantem que essa foi a última temporada em que eles irão parecer, mas sabe que eu não tenho certeza se isso irá mesmo se concretizar? Isso porque as histórias dos 5 anos “da ilha” acabaram, mas eles podem muito bem colocar flashbacks de momentos não mostrados da época da 1ª temporada. Eles já fizeram isso duas vezes nessa temporada, então quem garante que eles não voltem a fazer isso novamente? Flashback é outra coisa que Arrow se apoiou e não consegue se livrar.

Voltando a falar dos dramas da série, o pior deles, e é este que me fez começar a ter vontade de desistir de assistir Arrow, é o de Oliver. Sabe, já estou cansado de ver Oliver com a mesma picuinha em todas essas temporadas de ficar no ciclo “sou uma pessoa má, tenho que afastar todos de mim”; “todos me convenceram que podem me ajudar, que podem ser úteis e que essa é uma escolha deles e não minha, então eu aceito eles de volta”; “não quero mais ser vigilante, isso não funciona. Vou fazer as coisas na luz”; “a luz não funciona, tenho que resolver as coisas como vigilante, é o único jeito”. Tem hora que você enjoa disso. Quantas vezes Oliver já passou por esse ciclo desde a 3ª temporada para cá? Quando você pensa que isso é coisa que ficou no passado, ele volta. Isso me desanimou muito, e é por isso que fiquei com vontade de desistir.




Eu já estava pensando seriamente em apenas terminar esta temporada e deixar de acompanhar Arrow definitivamente, porque a série não apresenta mais nada de novo, é mais do mesmo. E quando apresenta o novo, faz de forma forçada, como os personagens do novo time. Demora para nos acostumarmos com eles, porque a forma como tudo acontece não é natural. O que devemos esperar da 6ª temporada? 1) Olicity: drama, que fará eles brigarem, terminarem e depois voltarem de novo. 2) Mais promessas de todos da produção de que a próxima temporada será mais otimista e alegre, mas que no fim só veremos isso durando os 3 primeiros episódios e depois Oliver voltando a ser sério e dramático. 3) Mais drama de Oliver: ele deverá parar de ser vigilante, até que alguém (ou ele mesmo) convença ele do contrário. Fora o drama dos outros personagens, que são sempre repetitivos. Depois de 5 temporadas de Arrow, tenho preguiça de continuar assistindo. Em relação a dramas fortes, a e 4ª temporada foram as mais fortes (principalmente a 3ª), mas continuei assistindo porque mesmo sendo dramas fortes, eram dramas que estavam sendo mostrados pela primeira vez. Mas agora eles ficam repetindo as histórias.

O vilão dessa temporada foi bom? Foi ótimo. Arrow nunca deveria ter se afastado dos vilões urbanos. Não é porque ele está no mesmo universo de The Flash que tinham que mexer com o sobrenatural e magia, o que descaracterizou totalmente o personagem, que é apenas um vigilante comum. O Arqueiro Verde e o Flash podem estar no mesmo universo, mas cada um tem o seu próprio universo e sua própria cidade para cuidar. Mas a volta do vilão urbano fez a série voltar às origens e lhe fez mais parecida com a 1ª temporada? Não exatamente, porque na parte do vilão pode até ter voltado, mas na parte dos dramas, o negócio ainda está caindo em qualidade e não se compara ao início da série. Aliás, uma coisa que eu percebi nessa temporada é que o Arqueiro Verde quase não usa mais o seu arco e flecha. Sim, a principal característica do personagem, que é sempre muito enfatizada nos quadrinhos, e que dá o nome ao personagem, está ficando cada vez mais de lado. O arco é um mero enfeite que o Arqueiro Verde faz questão de levar na mão, e as flechas só servem para fazer aquelas faíscas. Ele não usa mais o arco e flecha como arma, para atirar em alguém, e o potencial dos vários tipos de flecha também não é explorado (como pouquíssimas vezes foram durante esses 5 anos de série).

Mas aí veio aquele final. De todas as séries da CW, a season finale de Arrow foi a única boa, e foi a única que me deixou com vontade de assistir a próxima temporada. Aí as coisas mudaram um pouco. Agora já não tenho mais certeza do que vou fazer. Ainda estou desanimado com a série de um modo geral, mas preciso saber o que acontecerá depois daquele final, já que ficou incompleto. E então talvez depois disso eu deixe de acompanhar, ou então, se a série me prender mesmo no seu início, talvez eu dê uma chance, mas já ciente dos seus possíveis (ou seria prováveis?) problemas, como foi falado mais acima.

Nota:




sábado, 24 de junho de 2017

Resenha: The Flash – 3ª temporada



Atenção: esta resenha contém spoilers!

Os primeiros episódios dessa temporada de The Flash estavam bem razoáveis. Depois da excelente 2ª temporada, muita gente estava com altas expectativas para esta temporada, principalmente por causa do Flashpoint. Mas ao mesmo tempo que todos estavam com essas expectativas para saber com seria a nova vida de Barry, todos nós sabíamos que isso não iria durar para sempre. Mas o que não sabíamos era que iria durar tão pouco, e esse foi o problema do Flashpoint, que nos quadrinhos é um evento enorme, e que na série foi diminuído a apenas um episódio, o que foi decepcionante. O lado positivo, é que no Flashpoint as coisas eram diferentes e seria ruim se elas continuassem daquele jeito. Cisco era um rico metido, a cidade tinha um novo Flash (o Kid Flash), Iris e Joe, assim como todos os outros personagens que Barry trabalhava na S.T.A.R Labs não o conheciam. Então de certa forma foi bom que Barry tivesse voltado de novo, até porque ele já estava pegando todo mundo que conhecia e juntando de um jeito forçado para lhe ajudar. Essa não é a melhor forma de fazer as pessoas lhe conhecerem.

Por outro lado, quando Barry volta à linha do tempo que tinha deixado, as coisas não estão exatamente iguais ao que era antes. Iris e Cisco estavam mudados e Barry agora tinha um parceiro no trabalho. E então os problemas da série continuaram. O problema não foram as mudanças na linha do tempo em si, até porque elas tinham que acontecer para que Barry aprendesse a não brincar com ela, e para que ele veja que os seus atos sempre terão consequência. O problema é que essas mudanças foram para deixar os personagens mais chatos e dramáticos. E isso durou uma boa quantidade de episódios no início da temporada. The Flash parecia outra coisa. Além de uma Iris sem muitos sentimentos por Barry, e que teve que ser conquistada novamente, sendo que já tínhamos visto eles dois finalmente se dando bem no final da temporada passada, ainda temos Cisco, um personagem legal que foi deixado dramático e com ressentimentos por Barry, e também Julian, um personagem insuportável. O vilão do início da temporada, que pensamos ser o grande vilão, mas na verdade não é, também não é lá essa coisa toda. Ah, não nos esqueçamos de H.R., que provou o seu valor, mas que no começo nos fez sentir muita falta do antigo Harrison Wells, da Terra 2, também chamado de Harry. Fez falta um cientista experiente e sabe-tudo para resolver os maiores problemas do time. H.R. só fazia atrapalhar e no começo era inacreditável que escolheram um personagem como ele para ficar no time. Mas depois você vai se acostumando com a personalidade dele e o aceitando mais. Ele se tornou um dos alívios cômicos da série, já que todos os outros personagens estavam mergulhados em dramas.

Mas ainda bem que isso não durou a temporada inteira. Ainda bem mesmo, senão essa temporada de The Flash iria cair muito em qualidade. Outro problema foi que esses probleminhas com os personagens se resolveram muito rápido. A série resolveu mudar os personagens para mostrar as consequências dos atos de Barry, mas também não quis deixá-los daquele jeito porque sabia que o público iria rejeitar, e então resolveram os problemas tudo de uma vez e depois já estava tudo bem. Então Iris, que não tinha sentimentos por Barry, não só aceita namorar com ele, como também aceita todo o resto numa boa (e só no meio da temporada é que a relação dela com Barry parece mais natural, porque até então eu estava achando meio forçado), Cisco perdoa Barry e volta a ser o melhor amigo dele, e Julian deixa de ser um insuportável e passa a ser um colaborador de valor para a equipe. Eles mudaram assim, bem rápido, porque o interesse da série era deixar eles do mesmo jeito que estavam na temporada anterior. Concordo que eles deviam mesmo ficar como estavam na temporada anterior, mas porque então mudaram as personalidades deles e lhes colocaram em drama? Se fosse assim seria melhor que nem mexessem nesses personagens. A única personagem que mexeram e que ficou boa foi Caitlin, que virou a Nevasca. Ela tem um desenvolvimento melhor, porque a todo o momento está pendendo entre o bem e o mal.

Um personagem que ficou chato durante muito tempo foi Wally, o Kid Flash. Ele ficava com aqueles ciúmes de Barry e Jesse Quick por eles terem velocidade e ele não, e depois que finalmente consegue tê-la não sabe usar, quer fazer tudo do seu jeito, não quer ouvir Barry, faz besteiras... Ele é chato e imaturo. A gota d’água que fez Barry voltar novamente à linha do tempo que tinha deixado foi vê-lo correndo o risco de morrer, e quando ele volta encontra um Wally sedento por aventuras, querendo fazer loucuras e se colocando em risco. Ele também melhora com um tempo, mas minha impressão foi a de que ele foi o que mais demorou para ter essa evolução. Por outro lado, Barry restringe muito ele. Se nos lembrarmos do primeiro episódio da 1ª temporada de The Flash, vemos que Barry logo se torna o Flash e logo quer usar a sua velocidade para ajudar outras pessoas. Ele recebe apoio de uma equipe especializada e também de Joe. Já com Wally ele não permite que isso aconteça, assim como Joe e Iris também não permitem. Tudo bem que Barry é mais experiente e conhece mais os seus poderes, habilidades e os perigos das ruas, mas foi com seus erros que ele aprendeu, e não só observando outra pessoa fazer (que é o que ele sempre queria que Wally fizesse no início).

Jesse Quick aparece duas vezes apenas e fica reduzida a um mero interesse amoroso de Wally, o que é decepcionante. A única velocista feminina e nem temos o prazer de vê-la em ação por mais episódios, fazendo a diferença de verdade. Quando ela aparece é para ser o par romântico de Wally ou para discutir a trama já sem graça do pai superprotetor com a filha que quer se libertar.

O vilão verdadeiro da série, Savitar, demora para se revelar, mas quando se mostra, vemos que ele é realmente poderoso e é o maior inimigo já enfrentado por Barry. Mas não senti aquele temor por ele da mesma forma que senti por Zoom. Zoom foi trabalhado desde o início da temporada passada de forma magnífica, enquanto que Savitar demora mais para emplacar. Acho que Savitar só melhora quando o restante da série melhora, quando os outros personagens voltam a ser como antes. Até então o nível da série estava mais baixo em relação à temporada anterior. A revelação da identidade de Savitar é surpreendente e chocante. Achei essa revelação a melhor já feita e me surpreendi mais do que a revelação de quem era o Flash Reverso ou Zoom, porque a própria série dava sinais de quem eram.

Outro ponto é que essa temporada está mais dramática, porque desde o seu começo é revelado que Iris irá morrer. Isso faz Barry deixar de ser aquele personagem alegre, leve e sorridente que conhecemos. Ele passa a ser mais sério e sempre está aperreado. Se você notar, até a abertura da série, onde ele fala que é o homem mais rápido vivo (e que, como sabemos, não é verdade rs), ele está com a fala mais séria. Por vários momentos durante a temporada tive medo de que isso se expandisse e ele realmente ficasse sério, triste e dramático. Quando ele vai ao futuro dá para ver como as coisas ficaram e como o Barry do futuro está. Dava medo de que aquilo realmente virasse realidade, porque se acontecesse teríamos um segundo Oliver Queen. Aliás, todo esse drama forte também chegou em Arrow na 3ª temporada. Será que Supergirl também será vítima dessa maldição? Não sei qual é a necessidade que os responsáveis por essas séries de heróis da CW veem em sempre colocar mais drama no decorrer das temporadas. Isso não é desenvolver um personagem, e sim deixá-lo mais chato, principalmente no caso de Barry e Kara, que já nos acostumamos que eles são sempre alto astral.

E falando na Supergirl, aquele episódio crossover de musical com o Flash, que muita gente não gostou, eu gostei. Ficou legal, foi diferente, e ainda se encaixou nas duas séries, dando um fim no problema dos romances de Barry e Iris, e Kara e Mon-El, que poderia se estender pelo restante de suas temporadas.

Apesar de eu ter falado aqui só sobre os defeitos dessa 3ª temporada de The Flash, foi uma boa temporada, contando a partir do momento em que todos os personagens deixaram de ser chatos e voltaram a ser como antes. Quando tudo já estava estabelecido, a série engrenou e aí sim começou a ficar boa. O final foi bem nada a ver, totalmente desnecessário. O gancho não me deixou ansioso para a próxima temporada porque não teve sentido, e espero que Barry não fique muito tempo deprimido por tudo o que estará passando na prisão da Força da Aceleração. Espero também que a próxima temporada saiba trabalhar melhor os personagens, desde o seu começo, e que não seja tão dramática assim. Que não estraguem The Flash (por favor!). Gostamos dele alegre e otimista, como era até a temporada anterior.

Nota:




sábado, 17 de junho de 2017

Resenha: Supergirl – 2ª temporada



Atenção: esta resenha contém spoilers!

A 2ª temporada de Supergirl continua com a mesma fórmula da temporada anterior ao fazer histórias com um vilão para cada episódio. É essa simplicidade de Supergirl que conquistou o seu público. A diferença é que nesta temporada outras histórias e personagens são aprofundados, dando uma sensação maior de continuidade do que a temporada anterior tinha. Isso é bom porque se a série continuasse no mesmo ritmo que a temporada anterior, um dia iria enjoar, porque as pessoas não ficariam motivadas a assistir o próximo episódio. Então vemos que a nave que surgiu no último episódio da 1ª temporada, trazia Mon-El, o príncipe do planeta Daxan, que depois vira o namorado de Kara. Vemos que Winn ganha uma namorada, J’onn começa a ter um interesse amoroso, Jimmy vira vigilante (que aliás, ficou muito bom, apesar das pessoas criticarem muito), Alex também ganha um envolvimento amoroso, e o mistério sobre o pai de Alex e Kara é um pouco mais desenvolvido, mas não concluído. Toda essa adição de personagens, que na sua maioria serviu como interesses amorosos, mas que também tiveram seus próprios desenvolvimentos, serviu para criar histórias além das lutas da heroína contra os vilões, e servir para dar essa continuidade entre os episódios que eu falei.

Mas claro que nem tudo são flores. Um dos problemas dessa temporada é que ela não tem uma grande vilã bem definida. No começo foi apresentado Lillian Luthor, a mãe de Lex e Lena Luthor, como a possível grande vilã da temporada, e só depois é que surge Rhea, a mãe de Mon-El, que é a verdadeira grande vilã. A série nos confunde sobre a grade vilã da temporada pela forma que tratou Lillian Luthor. Não sei se isso foi feito propositalmente para confundir o espectador sobre quem seria a grande vilã da temporada, ou se isso foi simplesmente um erro da produção, em mudar o foco desse jeito ou um erro na construção dessas personagens. Digo que acreditei que a mãe de Lena fosse a grande vilã, porque ela aparecia sempre, foi sendo desenvolvida e fazia Kara sofrer. Os próximos passos seria Kara se fortalecer e tentar achar maneiras de se livrar daquele problema, para no final acabar com ela. Mas não foi isso o que aconteceu. A trama com Lillian Luthor foi quebrada, deram espaço a tramas de vilões menores e dos outros personagens coadjuvantes, para só então Rhea ser introduzida.

Outra coisa que não gostei muito foi o romance gay de Alex e Maggie. No começo achei super forçado, mas depois vi que elas estavam sendo bem desenvolvidas. Apesar do romance começar de uma hora para a outra, admito que não ficou forçado no restante da temporada. Eles souberam tratar dessa questão com seriedade e delicadeza. Mesmo assim acho que esse era um romance que a série não precisava.

Cat Grant não participa dessa temporada, e faz falta, porque ela é uma personagem muito carismática e engraçada pelo seu jeito de ser. Ela apenas fez participações no início e no final da temporada, que ficaram muito boas. No final é incrível a revelação que é feita: ela sabe que Kara é a Supergirl!!! Ela não foi enganada na temporada anterior. É incrível essa habilidade dela de saber a identidade secreta de todo mundo (ela não só não descobriu que Clark é o Superman, ou pelo menos isso não foi revelado ainda). Parece até um superpoder rs. Queria vê-la no elenco fixo da próxima temporada.



E ainda teve a primeira aparição de verdade do Superman, e foi muito legal ver. Ele apareceu nos dois primeiros episódios e no último. Nos dois primeiros episódios ele se mostrou ser o Superman de verdade em sua essência, o Superman que todos os fãs queriam ver no cinema, ao invés daquele dramático e afetado de Zack Snyder. Ele é sorridente, alegre e alto astral (parecido com a Supergirl até). Ele é quase uma figura mítica e você percebe isso com a reação de todos quando o veem de perto, mesmo estando acostumados a ver a Supergirl diariamente. Isso é porque o Superman é diferente, ele é o grande herói, que todo mundo conhece, mas nunca o viu de verdade, o grande herói que já salvou a Terra várias vezes (apesar da série não mencionar isso). Ele foi tão bem trabalhado que mesmo aparecendo nesses episódios, não roubou a cena e nem o protagonismo de Kara. Ele estava lá com ela, lhe ajudando a salvar pessoas, mas ela era a heroína que fazia a diferença no final. Eles têm uma dinâmica muito legal quando estão juntos. A série não prolongou a sua presença, o que foi bom, porque o Superman tem suas próprias histórias e sua própria cidade para cuidar. Ele não pode ficar sempre ao lado da Supergirl, até porque se isso acontecesse ele iria virar um personagem coadjuvante da série. Mas um problema que eu vejo nesse Superman é que ele é fácil de manipular. No último episódio ele tem sua mente dominada por um tipo de kriptonita. O problema é que ele já teve a sua mente dominada antes, na temporada anterior. E para completar, no último episódio, ele luta com Kara, e ela vence (claro, a série é dela). Mas tudo isso termina deixando o Superman mais fraco do que ele realmente é. Mostra ele como uma pessoa vulnerável que pode ter sua mente facilmente manipulada e ser facilmente vencido por outro alienígena ou pessoa com tecnologia.

O final deixou um gancho para a próxima temporada que trará um novo grande vilão, que provavelmente também irá querer dominar a Terra. Confesso que não me animei muito com esse gancho, e por isso não estou ansioso pela próxima temporada (mas vou assistir mesmo assim) porque essa segunda temporada já tratou de uma vilã que quis dominar a Terra. Desse jeito as histórias começarão a ficar repetitivas. Eles terão que arrumar um jeito de trabalhar diferente o novo vilão, para manter o interesse dos espectadores, assim como The Flash tem feito até aqui com seus vilões velocistas.

Fora esses probleminhas falados aqui, Supergirl continua uma série boa, e mesmo o gancho não tendo me instigado, vou continuar acompanhando.

Nota: