quinta-feira, 23 de março de 2017

Resenha: Fome de Poder

Fome de Poder - Pôster nacionalTítulo Original: The Founder

Título Nacional: Fome de Poder

Direção: John Lee Hancock

Gênero: Biografia, drama

Duração: 1h55min

Estreia: 9 de março de 2017

 

 

 

 

 

Frase de destaque: Nada neste mundo supera a boa e velha persistência. Talento não supera. Nada mais comum que talentosos fracassados. Genialidade não supera. Gênios não reconhecidos é praticamente um clichê. Educação não supera. Porque o mundo é cheio de tolos educados. Persistência e determinação, apenas, são poderosas.

Atenção: esta resenha contém spoilers!

É muito interessante assistir a um filme como Fome de Poder, que conta uma história real de crescimento e superação no cruel mundo dos negócios. Neste filme é contada a história da McDonald’s, com surgiu e seu crescimento. Quando você vê o funcionamento do primeiro restaurante explicado pelos seus criadores, você vê a enorme inovação que eles fizeram. O sistema de fast food, que hoje é comum para a gente, não existia em 1940 e os irmãos McDonald criaram esse sistema, criaram ferramentas e o layout que o restaurante deveria ter para que o trabalho fosse contínuo, padronizado e com menos custos. Foi um modelo muito bem sucedido, como vemos hoje. Claro que isso não funcionou de primeira, como o filme mostra, da mesma forma que o sistema de franquias e o crescimento também não deram certo rapidamente. Tanto os irmãos McDonald como Ray Kroc passaram por maus momentos até conseguirem consolidar as suas ideias e fazer as pessoas aceitarem.

Sobre Kroc, ele é um exemplo de que devemos correr atrás daquilo que acreditamos. Acho ele bem exagerado, porque esse seu jeito prejudicou o seu casamento e sua relação pessoal com Rick e Mac. Ele mesmo disse que se visse um rival se afogando colocaria uma mangueira na boca dele. Ele era extremamente competitivo para poder atingir os seus objetivos. A persistência, falada por ele no final do filme, é certamente uma qualidade que pode nos levar a atingir os nossos objetivos, mas na minha visão Kroc foi muito duro e excessivo nas suas ações. Os irmãos McDonald não tinham esse desejo forte de competição e crescimento. Eles queriam sim crescer, mas não da mesma forma que Kroc. O filme mostra eles como pessoas amigáveis, simples e que estão satisfeitos com o que conseguiram. Eles criaram aquele modelo de fast food, e aquilo funcionava, por isso eram contrários às mudanças que Ray propunha porque se afastava do modelo original criado por eles. Eu entendo o ponto de vista deles. Quando você cria algo que dá certo e vê outra pessoa querendo mudar as coisas, você não gosta. Por outro lado, se eles não fossem tão conservadores e acompanhassem essa fome de poder que Ray tinha, eles não teriam ficado para trás e teriam crescido junto com ele. Poderiam discordar da forma como Kroc conduzia os negócios, mas estariam ricos, eles e seus descendentes, porque querendo ou não, mesmo com seus defeitos, Kroc sabia negociar. Ou então, na hora da venda, deveriam ter formalizado tudo, para que recebessem a sua participação nos negócios, ao invés de terem caído na lábia de Kroc.

Kroc, apesar da sua qualidade de persistência, de controle e de negociação, traiu os irmãos McDonald. Ele criou uma empresa imobiliária para vender as novas franquias, sendo que as franquias não eram só dele, e sim também dos irmãos. Ele estava começando a ganhar dinheiro a mais por fora do acordo firmado usando o nome “McDonald’s”, que não lhe pertencia. Ele deixa isso claro no filme quando diz que “contratos são como corações, foram feitos para serem quebrados”. No final do filme dá pena de Rick e Mac. Mesmo com o cheque, eles estavam entristecidos porque foram obrigados a fazer aquilo. Foram obrigados a se desfazer do nome do seu restaurante, a se desfazer de um sonho antigo que eles lutaram para construir e a ver o seu sistema, que eles mesmos criaram, e o seu nome, estarem nas mãos de outra pessoa, que não tinha nada a ver com a história e criação do McDonald’s, mas se apossou de tudo como se fosse seu. Kroc comprou o nome “McDonald’s” porque era o que devia fazer para ter os plenos direitos, mas ele já tinha tomado a McDonald’s para si antes. Esse foi o primeiro golpe, e o segundo foi a promessa do pagamento de 1% de participação nos negócios que não foi formalizado, e por isso nunca pago. Até hoje o McDonald’s considera Ray Kroc como seu fundador. Eles citam os irmãos McDonald, mas apenas para dar início à história, e depois todo o destaque vai para Kroc.

Sobre as atuações, Michael Keaton é o grande destaque. Eles está excelente no papel de Ray Kroc. Ele foi redescoberto por Hollywood depois de Birdman, que apesar de eu não achar um bom filme, lhe fez ser lembrado e lhe abriu muitas portas. Ele é realmente um bom ator.

Fome de Poder é ótimo. Em inglês se chama The Founder, que traduzido seria “O Fundador”, que é assim que Ray Kroc se considerou, e é assim que é considerado até hoje. Esse filme mostra que com persistência é possível chegar aos nossos objetivos, independentemente da idade (tem gente que quando vai ficando mais velho começa a dizer “eu não tenho mais idade para isso”, ou “se eu fosse jovem faria”. Esse filme mostra o contrário. Se você querer, é possível). O filme mostra também como a competitividade é forte no mundo dos negócios. É preciso ter muito cuidado na escolha das pessoas com quem vamos trabalhar, a quem vamos revelar nossos segredos, cuidado para não sermos engolidos pelos que estão fora e para os que estão dentro também. O mundo dos negócios é cruel, é cobra comendo cobra. É necessário ter olhos abertos.

Nota:



quarta-feira, 15 de março de 2017

Resenha: O Lar das Crianças Peculiares

O Lar das Crianças Peculiares - Pôster nacionalTítulo Original: Miss Peregrine's Home For Peculiar Children

Título Nacional: O Lar das Crianças Peculiares

Direção: Tim Burton

Gênero: Aventura, fantasia

Duração: 2h03min

Estreia: 29 de setembro de 2016

 

 

 

 

 

Atenção: esta resenha contém spoilers!

O Lar das Crianças Peculiares, adaptação do livro O Orfanato da Srta. Peregrine Para Crianças Peculiares, começa sendo fiel ao livro. Uma pequena mudança aqui e ali, mas ainda fiel. Mesmo assim, desde o seu início eu lhe senti rápido demais. A parte da vida chata de Jacob não foi explorada tão bem, e isso é algo importante para os 3 livros, porque Jacob sempre fica comparando a sua antiga vida chata dentro de uma rotina com sua nova vida, que é cheia de riscos e aventuras. Da mesma forma, a relação de Jacob com seu avô também é muito rápida, não dando para o espectador entender a forte conexão entre Abe e Jacob, como acontece no livro.

Tudo acontece rápido, e de repente Jacob já está conhecendo o orfanato e as crianças peculiares. É a partir daí que começam as decepções com o filme: quando você vê que Jacob já está com os peculiares, se dá conta de que não existe nenhuma tensão no filme. No livro, Jacob passa um bom tempo explorando a casa velha, e a narrativa do livro conta isso com muita tensão. O filme poderia aproveitar não só essa parte, mas também a história do livro inteiro para fazer um bom suspense. A trilogia de livros das crianças peculiares é um universo gigantesco e cheio de detalhes que poderia ser bem explorado e muito bem trabalhado no cinema. O visual do filme é bom? Sim, ele é ótimo, mas não é só de visual que um filme vive. E é decepção em cima de decepção. Transformaram Emma em Olive, e Olive em Emma. O poder de Emma, que é ter chamas, que é algo tão forte e presente no livro ficou com Olive, que usa tão pouco. E Emma é só uma menina que levita e sopra, com sua personalidade estando mais para uma menina doce e educada do que para a menina forte e brava dos livros. Emma e Olive não foram as únicas personagens a serem descaracterizadas no filme. Eles ainda transformaram personagens crianças e pré-adolescentes em adolescentes, e adolescentes em crianças. Qual era o objetivo disso? Para mim não ficou claro.

Depois disso, o ritmo alto da história continua. Assim que o perigo chega Jacob se torna o líder natural do grupo. Ele tem as ideias, a bravura e diz a todo mundo o que fazer. Exatamente o oposto do livro, onde Jacob tem medo de tudo porque o mundo peculiar é novo para ele, e ele ainda está descobrindo. No livro as principais decisões são tomadas por Emma, onde Jacob se apoia e recebe apoio, mas os outros também são bem participativos. Não tem essa de ter um líder do grupo que deixa os outros mais fracos.

E para completar, todo o resto do filme é movido de clichês. Tudo se resolve muito facilmente e os personagens quase não têm esforço para nada. É uma decepção enorme ver um filme que poderia ter sido ótimo se trabalhasse o lado obscuro de tudo, que é tão presente no primeiro livro, e que poderia dar um ótimo suspense. Aquela cena da luta final onde as caveiras lutam contra os etéreos soa bobo e fácil.

No terceiro ato o filme muda completamente a direção do livro, dando uma conclusão à história, mas ao mesmo tempo acabando com uma cena cortada, o que não me fez muito sentido. É como se o diretor, Tim Burton, quisesse acabar a história do filme sem correr o risco de deixar uma ponta e não existir uma sequência, mas ao mesmo tempo deixasse alguma coisa ali para o caso de uma sequência acontecer. Tudo bem que na época em que o filme foi feito só o primeiro livro tinha sido publicado, mas no livro fica claro que a história teria continuação, e se o filme fosse feito de forma organizada e com respeito à obra de Ransom Riggs, eles perguntariam a ele o que aconteceria nos próximos livros para se guiarem melhor na produção do filme. Isso aconteceu na produção de Game of Thrones, onde as duas últimas temporadas da série serão feitas antes dos livros serem publicados. Então R.R. Martin disse o fim que cada personagem deveria ter para que os produtores pudessem se guiar, mudando só a forma que eles farão para os personagens chegarem àquele fim, ou seja, o livro e a série trarão o mesmo fim para os personagens, o que mudará entre eles é só o caminho para chegarem lá. Infelizmente nesse filme não houve esse interesse e cuidado.

Se vai ter outro filme ou não, ninguém sabe, mas sinceramente, é melhor que não seja feito outro, porque se for para fazer mais filmes como esse é melhor que eles nem aconteçam.

É uma pena os atores escolhidos para esse filme, que são bons, como Asa Butterfield e Eva Green, mas que foram desperdiçados pelo roteiro clichê e direção ruim. Quem ainda consegue se destacar mais é Samuel L. Jackson como o vilão do filme, mas ainda assim longe do que poderia ter sido, dado o potencial dos livros (aliás, esse vilão não existe nos livros, ele foi apenas levemente inspirado no vilão original).

Bem, essa resenha toda foi falando da minha decepção com o filme em relação ao livro, mas analisando ele como filme em si não chega a ser tão ruim assim. Ele ainda é muito clichê, tem problemas com um ritmo muito acelerado e com tudo se resolvendo muito rápido, mas também não é um filme péssimo. É um filme para se divertir e que deve agradar até as crianças maiores, já que não é muito pesado. Ele tem algumas cenas monstruosas e macabras, mas ao mesmo tempo tudo é retratado de uma maneira leve. Dá para passar o tempo com ele.

Mas agora só um adendo: vi algumas críticas por aí dizendo que esse é um ótimo filme de Tim Burton, o melhor desde tal época, e outros ainda elogiando a sua criatividade para a criação dessas crianças peculiares e dos seres. Claro, todo o visual está incrível, e acho até uma pena ele ter sido desperdiçado num filme com clima tão diferente dos livros, mas vale lembrar que nada disso foi criação de Tim Burton. Todos os conceitos e todo esse universo das crianças peculiares vieram de Ransom Riggs, autor dos livros. Inclusive, nos livros tem muitas fotos para ajudar o leitor a imaginar os personagens e as situações.

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Nota:



sábado, 11 de março de 2017

Resenha: Até o Último Homem

Até o Último Homem - Pôster nacionalTítulo Original: Hacksaw Ridge

Título Nacional: Até o Último Homem

Direção: Mel Gibson

Gênero: Drama, guerra, biografia

Duração: 2h20min

Estreia: 26 de janeiro de 2017

 

 

 

 

 

Vi muita gente falando que Até o Último Homem era um filme forte porque era de Mel Gibson, mas não achei tão forte assim. A Paixão de Cristo é muito pior. Em Até o Último Homem o máximo que aparece são tripas e pernas abertas, além de pessoas sendo baleadas na cabeça. Mas não é tão ruim quanto parece, até porque não é assim o filme inteiro.

O filme, que é baseado numa história real, fala muito de Deus, porque é a crença de Desmond, o personagem principal, e a história inteira do filme gira em torno disso. Vi uma crítica de cinema falando mal desse aspecto do filme, dizendo que ela não gostou por aparecer tantas cenas de Desmond lendo a Bíblia. Mas, ora, se a fé em Deus de Desmond foi o seu maior causador de problemas e ao mesmo tempo foi o que lhe motivou a fazer tudo o que ele fez, e também foi quem lhe deu a força para ajudar os outros mesmo depois de tudo o que ele tinha passado, como não falar sobre Deus e sua religião no filme? Esse filme seria falso e hipócrita se o personagem principal fosse mostrado apenas um herói altruísta que resolveu fazer tudo aquilo apenas pelos seus ideais abstratos. Seria errado mostrá-lo como um homem forte e bravo que fez o que achava que era certo e pronto. Tudo o que aconteceu com Desmond, tudo o que ele fez e deixou de fazer foi por causa da sua fé em Deus. Tudo gira em torno disso, então sim, deve ser contado e mostrado no filme, e deve ter o devido destaque, que foi o que o roteiro de Andrew Knight e Robert Schenkkan e a direção de Mel Gibson fizeram.

Você percebe a diferença entre a primeira parte, que apresenta o personagem e sua família, e introduz o seu romance com Dorothy, e a segunda parte, que é a guerra. Na segunda parte você vê que o medo fica estampado na cara dos soldados e depois a única coisa que tem no filme são sons de tiros. Bem real, porque é assim que é na guerra. Depois ele para um pouco com o som intenso de tiros para dar espaço aos diálogos e à continuação da história.

A direção é muito boa. O visual e a fotografia também são muito bons. Existem alguns momentos clichês, tanto nos diálogos quanto nas cenas em si, mas não são muitos (ainda bem). Andrew Garfield está ótimo no papel, e deveria ter ganhado o Oscar de melhor ator, ao invés do sem sal do Casey Affleck.

Gostei do filme, lhe achei muito bom. Foi feito um belo trabalho aqui, e pelo que podemos ver nos vídeos que aparecem no final do filme com as pessoas reais dando seus depoimentos (parece que essas imagens foram extraídas de um antigo documentário), o filme foi bem fiel à história real, o que é ótimo.

Nota:



quarta-feira, 8 de março de 2017

Resenha: Jackie

Jackie - Pôster - Filme 2016Título Original: Jackie

Título Nacional: Jackie

Direção: Pablo Larraín

Gênero: Drama, biografia

Duração: 1h40min

Estreia: 2 de fevereiro de 2017

 

 

 

 

 

 

 

Jackie, a personagem que dá título ao filme e que é interpretada por Natalie Portman, foi esposa do presidente americano John F. Kennedy, e esse filme conta como foram as suas reações e como ela lidou com tudo nos dias seguintes à morte do seu marido. Jackie é um filme bem montado e intercala cenas de Jackie dando uma entrevista a um repórter, com cenas do passado (não necessariamente na ordem dos acontecimentos) e com cenas dela apresentando a Casa Branca para a televisão. No filme dá para conhecer mais da personalidade de Jackie, suas preocupações e também a história do assassinato do seu marido, o presidente Kennedy. Dá para ver o seu estado emocional e seus sentimentos e reações diante de tudo nas horas e dias após o assassinato. É um filme que se aprofunda no drama da personagem.

Natalie Portman está muito bem no papel. Apesar de eu ter achado justo Emma Stone ter ganhado o Oscar de melhor atriz por La La Land: Cantando Estações, porque ela é uma ótima atriz e também estava ótima lá, se Natalie Portman tivesse ganhado também seria super justo porque ela fez um excelente trabalho nesse filme. Inclusive, eu poderia dizer que seria até mais merecido que ela ganhasse porque esse é um papel mais profundo e difícil de fazer do que o de Emma Stone em La La Land. Mas como eu disse, Emma ganhou de forma justa, ela mereceu também.

Por fim, gostei de Jackie. Natalie Portman carrega o filme com ela, porque é um filme sobre as emoções da sua personagem, fazendo o filme inteiro depender da sua atuação para sair bom. E saiu.

Nota:



sábado, 18 de fevereiro de 2017

Resenha: Lion – Uma Jornada Para Casa

Lion - Uma Jornada Para Casa - Pôster nacionalTítulo Original: Lion

Título Nacional: Lion – Uma Jornada Para Casa

Direção: Garth Davis

Gênero: Drama, biografia

Duração: 1h59min

Estreia: 16 de fevereiro de 2017

 

 

 

 

 

 

Lion – Uma Jornada Para Casa é um ótimo filme. Conta a história real de Saroo, um menino que se perdeu do irmão aos 5 anos, na Índia, e depois foi adotado por um casal da Austrália. Os primeiros 45 minutos do filme é todo em um dialeto indiano, além de ter sido filmado na Índia, o que é bom porque deixa o filme com mais realidade. Toda a ambientação da Índia é boa, e a atuação de Sunny Pawar, que faz Saroo quando criança, também é boa.

Em toda essa parte da Índia dá pena de Saroo. Ele teve que viver como mendigo durante muito tempo, e ainda correndo vários riscos pela rua com pessoas estranhas. Dá para ver também a situação difícil que ele vivia na Índia com sua família, e a situação não era melhor em outros lugares que o filme mostrou. Pior é pensarmos que existem milhares de crianças nessa situação de perdidas (coisa que inclusive o filme fala no final). Não só indianos, mas também brasileiros. Crianças da nossa cidade. E tem aqueles que já nascem e crescem nas ruas como mendigos, que têm suas histórias, suas vidas, seus passados, e que ninguém liga e mal olha para eles.

SPOILER: Eu vejo que Saroo foi uma criança de muita sorte, porque, apesar de ter se perdido da sua mãe e do seu irmão, ele escapou de pessoas perigosas que surgiram no seu caminho (como os homens que pegavam crianças que estavam na rua, o homem e a mulher que lhe trouxeram para casa com a promessa de achar a sua mãe, mas que tinham outras intenções) e ainda teve a sorte de achar o rapaz do restaurante, que falou com ele e registrou na polícia o seu desaparecimento. Foi só a partir daí que ele foi para o orfanato e ganhou a possibilidade de melhorar de vida, o que aconteceu quando o casal da Austrália lhe adotou. Se qualquer dessas coisas não tivesse acontecido, ou se tivesse acontecido diferente, a sua vida seria totalmente diferente da que é hoje.

O que Saroo teve, além de sorte, foi uma segunda chance, coisa que nem todas as crianças na situação dele têm. Por isso é necessário que todos pensemos mais nessas crianças abandonadas, perdidas, ou à margem da sociedade. Elas não merecem ser desprezadas pelo infortúnio da sua vida. Elas merecem uma segunda chance.

Lion – Uma Jornada Para Casa é um ótimo filme, com uma ótima história. Depois vou até ler o livro que o inspirou.

Nota:



quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

Resenha: A Qualquer Custo

A Qualquer Custo - Pôster nacionalTítulo Original: Hell Or High Water

Título Nacional: A Qualquer Custo

Direção: David Mackenzie

Gênero: Suspense, drama

Duração: 1h42min

Estreia: 2 de fevereiro de 2017

 

 

 

 

 

No começo eu estava achando A Qualquer Custo um filme um pouco parado, mas na continuação ele conseguiu me prender. As sequências dos assaltos, dos seus planejamentos, da vida dos dois assaltantes e o motivo de estarem fazendo isso, e a investigação dos patrulheiros acontecem constantemente, dando um bom ritmo ao filme e não cansando quem está assistindo.

As características dos moradores do Texas, onde se passa o filme, suas vestimentas e seus carros lembram muito o faroeste, e isso deixa o filme com ares diferentes dos filmes convencionais, o que é interessante de ver. Não tem como não falar da fotografia, que também colabora muito com essa semelhança com o faroeste, sempre filmando áreas verdes, de plantações e estradas de barro. A cor mostarda ou amarelo escuro prevalecem em quase todas as cenas por causa disso, e as outras cores usadas nos cenários e nas cenas são mais escuras e fechadas.

No final, A Qualquer Custo é melhor do que eu esperava. É uma aventura de roubos e investigação, mas que não é de ação propriamente, já que ele não foca em lutas ou nos roubos em si, e sim se preocupa em dar uma história aos seus personagens e em lhes dar um valor dramático para que o espectador consiga sentir que até mesmo os ladrões tem alguma importância ali. Ao mesmo tempo ele não é um filme pesado, mas sim um filme feito simplesmente para passar tempo e entreter. As atuações são todas boas, mas o destaque fica com Jeff Bridges (não à toa indicado ao Oscar de melhor ator coadjuvante).

Nota:



segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

Resenha: Animais Noturnos

Animais Noturnos - Pôster nacionalTítulo Original: Nocturnal Animals

Título Nacional: Animais Noturnos

Direção: Tom Ford

Gênero: Drama, suspense

Duração: 1h57min

Estreia: 29 de dezembro de 2016

 

 

 

 

 

Atenção: esta resenha contém spoilers!

Animais Noturnos é um filme que fala de perdas e vinganças. Ele conta a história de Susan, uma mulher rica, mas que é descontente com sua vida, tanto no lado pessoal quanto no profissional. Ela recebe o manuscrito de um livro de Edward, seu ex-marido, e começa a lê-lo. A história desse livro é mostrada no filme e tem suas cenas intercaladas com as da vida real de Susan, e ainda conta com lembranças do seu passado com Edward. Jake Gyllenhaal faz dois personagens: Edward, o personagem da “vida real” do filme, e Tony, o personagem principal do seu livro. O motivo para isso é explicado no próprio filme quando Susan reclama que ele tem que parar de escrever sobre si mesmo. Então, ao longo do filme, através dos flashbacks da vida de Susan na época que era casada com Edward, vamos percebendo que a história contada no livro, chamada de “Animais Noturnos”, é a história dele com Susan, e isso se confirma no final do filme.

Enquanto no livro Tony perde sua esposa e filha num assassinato de forma brutal, na vida real Edward perde sua esposa porque ela não o amava mais, não o apoiava e tinha se apaixonado por outra pessoa. No livro Tony quer justiça, e no final vingança contra aqueles que lhe fizeram mal. Na vida real, Edward busca vingança pelo mal que Susan lhe fez no passado ao lhe deixar por outro. Na época em que eram casados Susan disse que se cansava ao ler as histórias de Edward. O que Edward fez agora foi finalmente conseguir escrever uma história que fizesse Susan gostar e se interessar. Ela entrou na história de tal forma que ficava pensando nela o tempo todo e se perturbava com os acontecimentos. Edward fez Susan sentir saudade dele, principalmente porque ele enviou o livro num momento em que o atual casamento dela não estava indo bem. E finalmente, quando ela estava querendo encontrá-lo, ele a abandona, assim como ela o fez antes.

A maquiagem forte em Amy Adams destaca a cor clara dos seus olhos e mostra uma fase da personagem em que ela precisa se autoafirmar e passar uma aparência de pessoa forte e alegre, que é o total oposto da atual situação da sua vida pessoal, que é triste, fraca e monótona. É por isso que na fase anterior da personagem, mostrada nos flashbacks, ela não usava aquelas maquiagens fortes, porque era mais feliz.

Como disse antes, Animais Noturnos é um filme sobre perdas e vinganças. Ele é um filme inteligente, porque cria uma relação entre a história do livro e a da vida real dos personagens de forma que podemos entender. E mesmo o filme se dividindo em três narrativas diferentes, (a vida presente, as lembranças do passado e a história do livro), não tem como se confundir. A direção do filme ficou muito boa e dá para identificar bem qual a história que está sendo contada no momento. A caracterização dos personagens e os cenários foram as principais ferramentas usadas para isso, e eles cumpriram bem o seu papel.

O ponto negativo do filme é que ele é um tanto parado. Tem um momento que você não tem mais tanta animação para assistir, mas continua porque já está ali mesmo. Ele não chega a ser ruim a ponto de você desistir, mas é um ritmo cansativo. Dá para assistir até o final, e mesmo ele sendo inteligente e bem montado, não é um filme que eu diga que tenha gostado tanto ao ponto de querer assistir de novo ou de recomendar a alguém.

Nota: