sábado, 3 de dezembro de 2016

Resenha: The Crown – 1ª temporada

The Crown - 1ª temporada - Netflix

The Crown mostra como é o dia a dia da família real da Inglaterra, e a relação da Rainha Elizabeth II com sua família, com o primeiro-ministro Winston Churchill e com o governo. A série mostra que a vida da família real não é cheia de privilégios e facilidades, como pensamos. Eles têm sim tratamento especial, mas que pode ser para o bem ou para o mal. Talvez a pessoa não queira ter aquele tratamento e queria apenas ser uma pessoa normal, ou se mostrar como uma pessoa normal.

Tudo isso é retratado nessa série. Nela é mostrado que a coroa pode ser um fardo, porque traz várias obrigações ao monarca. Ela agora tem que agir e se comportar de determinada maneira. Qualquer coisa dita errada, qualquer deslize já é motivo para virar manchete de jornal, que fará questionamentos ao governo e à rainha, e isso termina desestabilizando o país.

Também é mostrado como os poderes do monarca da Inglaterra são limitados. A rainha não pode sugerir nada, e não pode querer fazer nada. Quem realmente governa e manda no país é o primeiro-ministro. Até mesmos decisões da vida pessoal da família têm que ser aprovadas pelo Gabinete, como no caso de Philip, o marido de Elizabeth, que queria aprender a voar e fazer manobras. A rainha não pode nem se quer escolher quem será o seu secretário pessoal, porque isso feriria a organização do palácio. A série mostra que quando se trata da coroa, mais valem os costumes e a tradição do que a vontade pessoal da rainha. Nada pode ser mudado, nada pode ser modernizado. Não existe liberdade para isso. A reunião semanal com o primeiro-ministro, onde ele deve se aconselhar com a rainha, na verdade não acontece bem assim. É uma reunião mais para informar a rainha das coisas que estão acontecendo e lhe manter atualizada. Churchill apenas fala e nunca pede conselhos. E Elizabeth também não dá, porque não tem efeito.

A pessoa que é a herdeira da coroa e depois de torna rei ou rainha não terá uma vida de privilégios e luxos. Na verdade terá uma vida cheia de obrigações que lhe serão impostas, sem lhe dar liberdade nem de questionar. A decisão já foi tomada pelo primeiro-ministro, pelo Gabinete ou pelo Parlamento, e à rainha resta apenas o dever de cumprir essas obrigações. Até os conselheiros e o secretário pessoal da rainha, como no caso de Tommy, conseguem ter mais voz ativa para tomar uma decisão do que a própria monarca. Ela é meramente uma figura, uma representante de todo o sistema.

The Crown

Também é mostrado na série como a coroa afeta as relações pessoais de Elizabeth. Antes ela era feliz no seu casamento e era mais próxima dos filhos. Depois que virou rainha, se afastou dos filhos. Só os vê de longe se divertindo, mas não chega perto deles. Quem faz isso, mas ainda não muito, é Philip. Agora ela viaja por meses e deixa os filhos sozinhos com as babás. Na verdade seus filhos não foram criados por ela e sim pelas babás. A série mostra pouquíssimos momentos em que Elizabeth esteve com seus filhos. Ela parecia ser uma mãe distante, de tanto ter que cumprir as suas tarefas reais. O casamento também foi prejudicado. Philip perde o seu emprego na Marinha, não pode morar na casa que ele escolheu para morar e que pagou caro para reformar e deixar do seu jeito, não pode ajudar Elizabeth em suas atividades, e não pode fazer nada sem a autorização do governo. Ele perdeu sua liberdade de viver e sua esposa, porque até em vários momentos Elizabeth se impõe a ele como rainha (gostaria de saber até que ponto isso realmente aconteceu). Philip é irritante às vezes, ele poderia ser mais compreensivo e aceitar melhor as coisas. Ele sabia que estava casando com a herdeira da coroa, e que aquele era o futuro que lhe esperava, mas mesmo assim ele aceitou. Ele sabia disso, até porque ele era um príncipe em seu país. Acho que ele esperava que mesmo se casando com a herdeira da coroa, ele ainda continuaria sendo o “homem da casa”, mandando e decidindo tudo, mas na verdade, sempre quem decide tudo é a rainha, e a vontade dela é a que prevalece. Em um dos episódios ele faz uma crítica sobre eles serem apenas figuras fantasiadas que têm que sorrir e acenar para o povo, o que é a mais pura verdade. Ele se sente inútil, porque além de não poder fazer nada, o que faz é acompanhar sua esposa também como uma mera figura. Mas ao mesmo tempo que eu entendo o lado dele, porque todo o seu sentimento e pensamento é verdadeiro em relação à monarquia britânica, também lhe acho chato, porque como disse, ele devia saber o que lhe esperava nesse casamento, e devia se acostumar a isso.

SPOILER: Outra relação que é posta em xeque é o de Elizabeth com sua irmã mais nova Margaret. No início eu achava que iria ter uma rivalidade entre as duas, mas na verdade não teve. Isso estava muito bem resolvido: Elizabeth é a herdeira da coroa e Margaret aceitava isso. Ela lhe respeitou e ficou feliz por sua irmã. Os atritos começaram quando seu namorado foi tirado de si por decisão de Elizabeth. Mais uma vez Elizabeth não pôde tomar a decisão que queria. Ela queria ajudar sua irmã, mas tinha pressão por todos os lados para que ela separasse Peter de Margaret, e ela terminou cedendo. Depois são revelados todos os sentimentos que as duas sentem uma pela outra: Margaret tem inveja de Elizabeth por ela ser a rainha. Ela queria estar no seu lugar e aparecer, fazer as coisas do seu jeito, porque é disso o que ela gosta. Já Elizabeth tem inveja do desempenho da sua irmã perante o público. Elizabeth não gosta de se apresentar, mas faz isso porque é um dos papéis do seu cargo. Como ela é pressionada por todos os lados e as coisas já vem prontas para ela, a sua postura é de muita neutralidade, que é até a postura que o governo e o povo espera que ela tenha. O seu medo não é só a de que Margaret faça ou fale alguma besteira, mas também a de que ela apareça mais do que a rainha, e de que ganhe notoriedade com isso. Elizabeth diz que não gosta de aparecer, mas a verdade é que gosta sim, porque ficou incomodada com Margaret e Peter aparecendo mais que ela, sendo que o povo e a imprensa tinham até aprovado o namoro dos dois. Elizabeth tem medo das duas coisas: do que esse comportamento da sua irmã pode causar e de como isso pode lhe apagar facilmente. Elizabeth começa seu reinado com medo e assustada por tantas pessoas se curvarem diante de si, mas aos poucos vai se acostumando e aceitando tudo, a chegar ao ponto de não querer que ninguém lhe ofusque (e isso foi tratado mais de uma vez na série). Acho que isso deve mostrar que o poder da sua posição lhe subiu à cabeça.

The Crown - 1ª temporada - Netflix - Margaret

Acredito que se Margaret fosse a herdeira do trono, seria ruim para a Inglaterra. Apesar do seu jeito moderno, ela terminou envolvida em polêmicas com suas declarações. Ela seria difícil de controlar, seria uma missão que irritaria Churchill e o governo. Se Churchill já se irritava com Elizabeth no começo, imagine então com Margaret? Poderia até colocar a monarquia em risco.

Falando em Churchill, ele também foi muito bem desenvolvido na série. Ele foi um homem respeitado pelas coisas que fez na Inglaterra, mas também muito orgulhoso. Não aceitava perder, e não queria deixar seu cargo, mesmo já sendo velho e ficando sem condições físicas e de saúde para permanecer. Ele não aceitava a sua velhice, e nem aceitava que estava na hora de parar. O episódio 9, que fala do seu quadro e do seu aniversário de 80 anos, mostra bem isso (aliás, esse episódio é um dos melhores episódios da temporada). Apesar de ser um homem inteligente e estrategista, que rendeu conquistas para o seu país, ele era grosso e ríspido. Ele tinha sido um grande homem e agora começava a ver a sua decadência por conta da sua idade, mas não queria aceitar. Queria ser o mesmo de antes.

The Crown - 1ª temporada - Netflix - Churchill

A série também mostra rapidamente o drama da Rainha-mãe, a mãe de Elizabeth. É interessante porque no meio de tantas coisas que aconteceram com Elizabeth na sua vida pessoal e na sua relação com o governo, ninguém nunca se pergunta como fica a mãe dela numa situação dessas. É triste a cena que ela fala sobre isso.

A série dá destaque a vários personagens e lhes desenvolvem bem. Todas as atuações são ótimas, especialmente a de Claire Foy, que faz Elizabeth, e John Lithgow, que faz Winston Churchill. John Lithgow consegue roubar a cena muitas vezes. Por se tratar do primeiro-ministro ele é um dos personagens mais importantes da série, e sua personalidade forte, junto com a história que é apresentada na série contribui ainda mais para o seu destaque.

Os cenários são muito bonitos e realistas. O figurino também está ótimo. Não poderia deixar de citar a fotografia, que também é belíssima.

A abertura é simples, mas sublime e com ar de glorioso. A trilha que lhe acompanha é boa e grandiosa no momento certo, combinando com a aparição da coroa.

The Crown - 1ª temporada - Netflix (4)

The Crown é uma série de muitas qualidades. Não sabemos até que ponto as coisas que são contadas na série realmente aconteceram, já que essa é uma obra de ficção, mesmo que baseada em eventos reais. Os diálogos, por exemplo, foram todos criados para a série. Resta saber se o comportamento das pessoas eram aqueles mesmo, e se os seus sentimentos em relação a tudo o que acontecia também eram aqueles que são mostrados na série. Em momento nenhum a série fala que é baseada em alguma biografia ou livro sobre a monarquia, mas com certeza nada ali foi escrito aleatoriamente. Pode ter uma coisa ou outra que foi acrescentada para que ficasse bem no formato da série (como a personagem Vanetia Scott, secretária de Churchill, entre outras coisas), e com certeza os diálogos dos personagens não foram exatamente aquelas, se é que elas chegaram a existir na vida real. Mas mesmo assim a série cumpre com seu propósito de mostrar o dia a dia da rainha e sua família, e do governo. Essa parte é a mais real, e podemos acreditar de que de um modo geral as coisas aconteceram daquele jeito. A série nos dá uma ideia de como tudo funciona, e nos faz ter uma imersão nesse mundo, na qual, até nós que não somos da Inglaterra temos tanta curiosidade de saber como funciona internamente, de como age a rainha e de como é a sua relação pessoal com sua família.

The Crown é ótima, e espero que tenha diversas temporadas, contando todas as histórias do reinado da Rainha Elizabeth II, até que chegue aos dias atuais, com Elizabeth já velha. Claro que não quero que isso aconteça rápido, e sim ao longo das temporadas e dos anos. Essa tem que ser uma série tão longa quanto está sendo o reinado de Elizabeth II, para que dê tempo de contar todas as principais histórias que aconteceram nesse período, com seus problemas e dilemas, assim como foi nessa temporada. São histórias muito interessantes de acompanhar. Por enquanto o plano é de 6 temporadas, com cada temporada contando histórias dentro de um espaço de 10 anos. Se for assim, vai ser bom. E essa é mais uma ótima série da Netflix.

Nota:



segunda-feira, 21 de novembro de 2016

Resenha: Quarto

Quarto - Emma Donoghue - CapaTítulo: Quarto

Autor: Emma Donoghue

Editora: Verus

Número de páginas: 350

Ano: 2011

Comprar (livro impresso)

Comprar (livro digital)

 

 

 

 

 

 

Só depois que assisti o ótimo O Quarto de Jack foi que descobri que ele era baseado num livro, chamado apenas de Quarto. Tive a oportunidade de lê-lo, e na minha opinião, esse é um dos poucos casos em que o filme é melhor que o livro. Não que o livro seja ruim. Ele é bom, mas numa boa parte ele é repetitivo contando o dia a dia de Jack e sua mãe. A narrativa é sempre falando de coisas diferentes, mas é uma rotina que enjoa rápido. As coisas começam a melhorar no clímax da história, porque é quando as coisas começam a mudar e surgem as aventuras. Depois de uma longa e ótima parte, a narrativa se acalma de novo e volta a contar só o dia a dia de Jack.

Sobre Jack, tem coisas que são ditas por ele que seria impossível uma criança de 5 anos saber na realidade. O que podemos fazer é acreditar que ele realmente sabe de tudo aquilo porque foi sua mãe que lhe ensinou. Mas essa é apenas uma observação, e não atrapalha em nada a leitura. Em outros momentos ele se comporta e fala como uma criança de 5 anos, o que nos traz algumas cenas engraçadas.

O livro termina de forma que você não espera caso tenha assistido ao filme primeiro, mas que faz todo o sentido, porque a partir dali aquela seria a nova vida de Jack e o que tinha ficado no passado agora era deixado para trás.

Gostei mais do filme porque lá eles dão uma melhor conclusão para as situações, e também porque a vó de Jack parece gostar mais dele no filme do que no livro. No livro parece que o único mais legal com Jack é o “Vopô”, que é o marido de sua avó. Em compensação, o livro trata melhor o avô de verdade de Jack, que no filme é totalmente frio. No livro também dá para entender melhor porque a mãe de Jack fica doente e porque ela fica mudada depois que volta ao mundo, enquanto no filme isso é feito de modo mais brusco.

Em resumo, Quarto tem pontos positivos e negativos se comparado ao filme, mas de um modo geral é um bom livro.

Leia também:

Nota:



sábado, 19 de novembro de 2016

Quais motivos levaram a Marvel a transformar Inumanos em série de TV?

Inumanos

Segunda-feira passada, dia 14 de novembro, todos foram surpreendidos com a notícia de que Inumanos não iria mais ser um filme e sim uma série exibida pela ABC, que teria seus dois primeiros episódios gravados totalmente em IMAX e exibidos nos cinemas do mundo todo durante duas semanas. Logo em seguida a série passará a ser exibida pela ABC com cenas exclusivas, e a primeira temporada terá 8 episódios. Tirando a dúvida de muita gente, a série não é um spin-off de Agents of SHIELD, e terá o Raio Negro e a Família Real dos Inumanos como os personagens principais da série, que se passará na Terra e na lua.

Os comentários que eu vi das pessoas foram todos de elogios. Muita gente gostou e apoiou a decisão da Marvel. O motivo é simples: o investimento que será feito na série. Para os dois primeiros episódios serem gravados completamente em IMAX e para serem exibidos nos cinemas do mundo inteiro, mesmo que só por duas semanas, é necessário muito dinheiro. Para se ter uma ideia, nenhum filme da Marvel até aqui foi gravado inteiramente em IMAX, só tiveram algumas cenas com essa tecnologia. E agora a Marvel vai fazer isso com uma série de TV, e é a primeira série que ela fará isso. Isso surpreendeu as pessoas e fez com que todos vissem com bons olhos essa mudança de mídia, até dizendo que numa série os personagens poderão ser mais bem desenvolvidos do que seriam num filme, e sim, isso é verdade. Se o filme fosse cancelado para virar série, mas esse investimento não tivesse sido feito, talvez a reação do público não seria tão boa assim.

Mas tem uma questão: esse alto investimento é só para os dois primeiros episódios. Os outros seis serão gravados normalmente, sem ser em IMAX (em Full HD, no caso). Isso não quer dizer que a série vai ficar ruim ou com efeitos ruins, só estou dizendo que não devemos nos animar muito com esse investimento da Marvel achando que a série toda terá esse mesmo nível tecnológico. Tem também a questão do risco e da segurança: se Inumanos fosse um filme seria mais provável a sua continuação nos cinemas. Já numa série de TV tudo depende muito da audiência, mesmo que a série seja bem aceita pelo público e pela crítica. Esse foi o caso de Agent Carter, que mesmo sendo uma boa série, saiu do ar por causa da baixa audiência.

Ainda cheguei a ver gente bem animada dizendo que Inumanos poderia ser a Game of Thrones da Marvel, mas isso é um exagero. Game of Thrones é feito pela HBO, um canal da TV paga que preza pela qualidade acima de tudo, até mesmo da audiência, para entregar produtos diferenciados aos seus assinantes. É um canal feito especificamente para essas grandes produções, e por isso a dinâmica e os objetivos são totalmente diferentes da de uma TV aberta, que é o caso da ABC. Eles não podem investir alto demais numa série que não sabem se terá um bom retorno. Como disse, tudo depende muito da audiência.

Inumanos (2)

Outra coisa que me fez pensar foi: porque a Marvel irá fazer isso só com Inumanos? É fácil dizer que ela não fez isso com Agents of SHIELD porque ela é ignorada, mas e quanto às séries da Netflix? Só se a Marvel não estivesse preparada para lançar filmes com classificação indicativa de 16 e 18 anos, ou então por achar que não vale a pena o investimento para um público mais limitado. O que não podemos pensar é que eles só tiveram essa ideia agora, porque as coisas não acontecem assim de uma hora para outra em grandes empresas. Para toda decisão a ser tomada é necessário um estudo minucioso de tudo para saber se aquilo será benéfico ou não para a empresa. Então com certeza essa é uma ideia já antiga, e que vem sido discutida há muito tempo, principalmente depois que a Marvel Studios deixou de ser subsidiária da Marvel Entertainment e passou a responder diretamente à Disney.

Mas o que eu penso sobre isso é que depois que Kevin Feige conseguiu sua liberdade para fazer o que quiser no Marvel Studios, sem ter que se submeter a Isaac Perlmutter (presidente da Marvel Entertainment) e ao conselho, ele quis acabar com o filme dos Inumanos. Provavelmente esse filme não foi sua ideia, ou se foi, agora ele não quer mais por causa de Agents of SHIELD, que usou o conceito e alguns personagens primeiro. Apesar de Agents of SHIELD não ter usado os personagens principais, talvez Kevin Feige não tenha gostado deles terem sido apresentados primeiro na série. Existe um boato sobre isso, mas não sabemos se é verdade. De qualquer forma, faz sentido. Para a série foi bom usar o conceito dos Inumanos porque adquiriu a sua liberdade, e passou a construir sua própria história sem depender os filmes. Os fãs da série dizem que sua qualidade aumentou na 2ª e 3ª temporada por causa disso. Mas para o filme, talvez tenha prejudicado em algo e isso desagradou Kevin Feige. Tanto é que Inumanos teve sua data de estreia adiada duas vezes, e na terceira disseram que o filme não tinha mais uma data no calendário porque a Disney precisaria usá-la. Essa notícia me pareceu muito estranha, e não acreditei que esse fosse o real motivo, até porque nunca ouvimos falar dessa limitação da Disney nas datas dos filmes da Marvel. Talvez tenha sido nessa época que eles começaram a conversar sobre que destino daria para o filme e para os personagens, e então surgiu a ideia de transformar o filme em série de TV, o que teria mais a ver, já que os Inumanos já foram apresentados em Agents of SHIELD, e o público dessa série poderia acompanhar a nova série.

Mas, então porque a Marvel vai lançar os dois primeiros episódios nos cinemas em IMAX? Acredito que seja por algum entrave contratual. Não sabemos como funciona as coisas dentro dessas empresas (Marvel Studios e Marvel Entertainment), mas provavelmente a Marvel Studios teria que lançar um filme dos Inumanos, e com o cancelamento, teve que lançar os dois primeiros episódios no cinema para compensar. Mas também tenho outra teoria: os Inumanos serão importantes no MCU, e provavelmente também na Guerra Infinita, por isso eles precisam ser apresentados ao grande público. Essa última teoria, apesar de ser a mais desejada pelos fãs, também pode ser a mais improvável, já que até aqui a Marvel não tem dado sinais de que irá juntar os personagens das séries em algum filme do MCU. Se isso acontecer com Inumanos será a primeira vez.

Mas uma coisa é certa: isso não pode ser só um investimento para uma série de TV, porque seria dinheiro demais investido numa série, que todos sabem que são menos assistidas do que os filmes (muuuuuito menos assistidas, o público é outro). Então para justificar esse investimento todo, tem que ser algo muito importante mesmo, seja no lado legal da coisa, ou no lado da história e do que os personagens vão representar para o Universo Cinematográfico Marvel.

E você, o que acha que levou a Marvel a tomar essa decisão? O que achou das mudanças? Deixe sua opinião nos comentários!



segunda-feira, 24 de outubro de 2016

Resenha: Retalhos

Retalhos - CapaTítulo: Retalhos

Autor: Craig Thompson

Editora: Companhia das Letras

Número de páginas: 592

Ano: 2009

Comprar

 

 

 

 

 

 

Retalhos é uma graphic novel que conta uma parte da vida de Craig, autor do livro. O livro começa contando histórias da infância de Craig junto com seu irmão Phil, e depois pula para a parte que ele tem 17 anos e conhece Raina, por quem se apaixona. Essa é a história principal do livro, que inclusive ilustra a capa. Para mim o livro iria contar histórias das etapas da sua vida em ordem cronológica, como ele dá a entender no início, mas não. Vez ou outra ele volta à infância para contar outra história, mas que serve apenas como uma rápida lembrança, e logo depois volta para a história principal.

Os desenhos são muitos bons, e a história é leve e fácil de ler. Muitas vezes Craig usa menos palavras e mais desenhos para mostrar as coisas que aconteciam com ele, e como ele se sentia diante disso tudo. Em alguns momentos, principalmente nas histórias da infância, eu me identificava com ele, principalmente na questão do bullying (apesar de eu não ter sofrido aquilo tudo que ele sofreu, como apanhar dos valentões) e na questão da fé e do comportamento (na infância, principalmente).

Falando em fé, esse é um dos itens mais presentes na história. Sempre é falado da igreja que ele e sua família frequentava, sobre a religiosidade da família e sobre a fé de Craig. Isso é algo que vai se desenvolvendo ao longo do livro, ao mesmo tempo do romance.

SPOILER: Já no final do livro Craig muda de opinião quanto à sua fé, adotando uma visão tão crítica que lhe fez deixar de acreditar nela. E você percebe não só pela história, mas também no modelo da escrita das letras e nas ilustrações, que ele ainda tem a mesma opinião de quando tinha seus 20 anos. Ele ainda tem aquela mesma visão crítica que lhe mantém distante da igreja e de Deus. Eu, como evangélico, dei minha opinião sobre essa parte em específico no meu blog pessoal, que você pode ler clicando aqui.

Retalhos pode ter tido algo de que não gostei, mas é um bom livro, tem uma história legal e você lê tudo rapidinho. Eu só não li mais rápido porque estava com falta de tempo.

Nota:



segunda-feira, 17 de outubro de 2016

Resenha: Maze Runner: Ordem de Extermínio

Maze Runner - Ordem de Extermínio - CapaTítulo: Maze Runner: Ordem de Extermínio

Autor: James Dashner

Editora: Vergara & Riba

Número de páginas: 381

Ano: 2013

Comprar (livro impresso)

Comprar (livro digital)

 

 

 

 

 

Quando comecei a ler Maze Runner: Ordem de Extermínio me perguntei porque demorei tanto tempo para finalmente começar, porque assim como a trilogia anterior, esse livro é muito bom. Foram 7 meses de diferença que levei entre Maze Runner: A Cura Mortal e Maze Runner: Ordem de Extermínio. Só ao ler o primeiro capítulo eu já tive essa sensação, e me lembrei como Maze Runner tem uma história incrível e cativante. Já disse aqui e repito: para mim, de todos as sagas juvenis que li até agora essa é a melhor. Só é uma pena que os filmes não estão nesse mesmo nível.

O livro se passa antes de todas as histórias de Thomas na trilogia que a antecede. Aqui é revelado como surgiu o vírus do Fulgor, e como surgiu o CRUEL. Já dá para ter uma ideia, ainda que não total, se o CRUEL é bom ou não. Os personagens são outros, porque a história se passa 13 anos antes. Mas você percebe que é o mesmo mundo de Maze Runner, porque além do Fulgor, que é o que gira a trama do livro, ele sempre faz referências às chamas solares que acabaram com o mundo e deixaram as pessoas vivendo em povoados com situação precária.

Você logo se apega aos novos personagens, e logo também passa a sentir o suspense da história, que no início é o mesmo do dos outros livros. James Dashner sabe mesmo como escrever um livro.

Em algum momento, porém, ele começa a ficar um pouco mais lento no ritmo da história e os dramas começam a ficar repetitivos. O suspense que vinha tendo no começo do livro, e que também esteve presente nos livros anteriores, deixa de aparecer. Mas isso não o faz ser ruim. Muito pelo contrário, o livro é ótimo, e tem uma ótima história de aventura, mas aquele suspense que eu já estava acostumado fez falta.

Mas para fechar com chave de ouro, os últimos capítulos ficaram ótimos, e o suspense voltou, ainda que em menor escala.

Fora esses problemas, Maze Runner: Ordem de Extermínio é um ótimo livro. Se você for fã dos livros da saga recomendo que leia para descobrir o começo de tudo.

Leia também:

Nota:



sábado, 15 de outubro de 2016

Resenha: Luke Cage – 1ª temporada

Luke Cage - 1ª temporada

Atenção! Esta resenha contém spoilers de Luke Cage e Jessica Jones.

Eu, ao contrário da maioria das pessoas, gostei de Luke Cage, e gostei mais ainda do que Demolidor e Jessica Jones. O problema das pessoas é que elas querem que todas as séries de super-heróis sejam como Demolidor, com muitas lutas e acrobacias. Elas se esquecem que cada personagem tem uma personalidade e estilo diferente. Jessica Jones e Luke Cage têm super-força, mas não sabem lutar, então eles só jogam pessoas. Luke Cage ainda aguenta muito mais que Jessica, não só porque é a prova de balas, mas porque também tem mais força que ela. Então você não vê ele fazendo um grande esforço para nada. Mas não é por isso que a série é ruim.

Eu tive um choque inicial porque o Luke Cage dessa série é um pouco diferente do que aparece em Jessica Jones. Lá ele é mais calmo e discreto quanto ao uso dos seus poderes, mas aqui ele resolve aparecer e ainda dizer o seu nome na televisão, o que lhe deu uma notoriedade que nem Demolidor e nem Jessica Jones tiveram. Só comparando, Demolidor sempre sai nos jornais, enquanto Luke Cage sempre sai na televisão. Isso com certeza lhe prejudicou. O ambiente da série também é outro: é o Harlem, uma cidade de predominância negra, e por isso as coisas são um pouco diferentes. Acho que isso contribuiu para essa mudança em Luke de uma série para outra. A transição poderia ter sido melhor. E para completar, o primeiro episódio foi regular, quebrando logo de cara as expectativas de muita gente.

Falando no Harlem, as cenas que foram gravadas de dia na barbearia Pop’s, do lado de dentro ou de fora, me lembrou muito o ambiente de Todo Mundo Odeia o Chris, o que me deu um saudosismo da série.

A partir do segundo episódio é que as coisas começam a melhorar, e a partir daí passei a gostar da série. A partir desse episódio você aceita e entende melhor o ambiente em que Luke está inserido e o porquê das suas atitudes. A partir daí também passam a acontecer várias mortes. Algumas são inacreditáveis.

Não estou querendo polemizar, até porque não gosto disso, mas não concordo com o Veredito do Omelete para a série. Segundo eles “já está na hora da Netflix parar com o drama nas suas séries da Marvel”. Eles não sabem o que querem. Se a Marvel faz um filme cheio de piadas eles não gostam, e se a Netflix faz séries sombrias e realistas, eles dizem que não querem mais ver. Agora eles querem que Punho de Ferro seja mais alegre. Não vai ser, e é melhor ir se acostumando com a ideia, porque esse é o perfil das séries da Netflix. Luke Cage foi a série que teve o drama menos pesado das três. Demolidor tem um drama muito chato e exagerado sobre segredos e amigos, algo parecido – e não canso de dizer isso – com Arrow. Jessica Jones tem um drama psicológico que não é chato, mas é pesado e profundo. Já Luke Cage tem sim seus dramas, mas que são mais leves e que não são exagerados. É um drama mais palatável. De certa forma Luke Cage é dos três a série mais próxima da realidade por causa do desenrolar de toda a história e seu desfecho, e também pelas discussões sobre tráfico de armas, sobre a comunidade negra e pelas discussões políticas.

Duas personagens femininas que têm grande destaque é Misty Knight, a detetive, e Claire, apresentada desde a primeira temporada de Demolidor. Misty, apesar de não dizerem explicitamente, tem poderes, e você percebe isso desde a primeira vez que lhe vê. Claire está incrível. Ela tem aqui a sua maior participação e importância desde seu surgimento em Demolidor. Em Luke Cage ela é tudo o que eu gostaria que tivesse sido em Demolidor: ela luta, se defende, é ousada, está sempre ao lado de Luke lhe ajudando quando ele precisa e ainda tem um envolvimento amoroso. É uma personagem que tem sua importância, e que nesta série foi reconhecida e tratada com respeito. A atuação de Rosario Dawson é o que faz amarmos a personagem ainda mais. Mas ela não foi nada disso em Demolidor, ou porque não souberam lhe aproveitar bem, graças aos dramas de Matt, ou de repente porque já tinham planos para ela em Luke Cage.

Luke e Claire - Luke Cage - 1ª temporada

Sobre o romance dela com Luke, é muito legal. Ela se deu o devido respeito e deu um passo de cada vez. Às vezes penso que foi meio que uma traição com Jessica Jones, porque ela lhe conheceu e sabia que ela gostava dele. Mas na maior parte do tempo a minha torcida é para que Claire fique com Luke, porque o relacionamento de Luke e Jessica era complicado e só vivia à base de sexo. Jessica era apaixonada por ele, mas parece que os dois só se identificavam por causa dos seus poderes. Já com Claire eles tiveram a chance de se conhecer de verdade, de passar tempo juntos – e maus tempos! –, e tiveram a oportunidade de desenvolver um romance para se apegarem, e isso foi muito bom de acompanhar. Não sei como vão resolver isso em Os Defensores, mas espero que Luke não volte para Jessica, e nem que Jessica fique com raiva de Claire, porque não precisamos desse drama.

Falando em Jessica Jones, existem algumas referências, mas em momento nenhum é revelado se Luke perdoou Jessica, e nem como ele se sentiu tendo sua mente controlada por Kilgrave. Eu esperava que ele falasse algo sobre isso, porque foram coisas que marcaram e mudaram a sua vida em Hell’s Kitchen, e por isso ele se mudou para o Harlem.

Cheo Hodari Coker, criador da série, disse em entrevista que a sua inspiração para essa série era o filme Cidade de Deus. Acho que a inspiração foi muito de leve, porque não vemos características do filme na série. O que vemos é a luta dos bandidos pelo poder e dinheiro, mas isso é muito comum, e de qualquer forma em Luke Cage os vilões são adultos, enquanto em Cidade de Deus são crianças e adolescentes. Mas mesmo assim é muito legal ver esse reconhecimento e respeito que Cidade de Deus tem por aí a fora.

Uma coisa que não gostei muito na série foi a grande presença de músicas. É uma série com forte apelo musical, e demorei para me acostumar com isso, porque são cenas demoradas e a música toca quase inteira. Outra coisa que não gostei foi o segundo vilão principal, que é Kid Cascavel. Ele não me convenceu. Ele é (ou deveria ser) para Luke o que Loki é para Thor, com a diferença que Loki é bem mais carismático e tem motivações reais, enquanto Kid Cascavel só é motivado por uma vingança sem sentido. Passaram uns seis episódios falando dele como uma grande ameaça, e ele até é por causa das suas atitudes, mas não nas suas motivações. O vilão que vem antes, o Boca de Algodão (confesso que achei esse nome engraçado) é bem melhor. Eu gostei dele, e ele tinha boas motivações para acabar com Luke. Ele poderia ter segurado essa série sozinho tranquilamente. Ele também poderia ser o cara que veste aquela roupa que dá super-força, o que ficaria muito bom. A atuação de Mahershala Ali é boa, apesar que em alguns momentos lhe achava parecido com a atuação de James Spader, que faz Reddington em The Blacklist (quando ele ri em momentos que não são engraçados).

Boca de Algodão - Luke Cage - 1ª temporada - Netflix

Mas existem outros vilões que são igualmente bons ao Boca de Algodão, que é Mariah, sua prima, e Shades. Depois que Kid Cascavel aparece eles são menos mostrados na tela, mas continuam tendo a sua importância na história até o último episódio.

No último episódio teve a última briga, que estava boa, até ela acabar rapidamente do nada e esfriar tudo. Esperava um final mais sacrificado. Apesar da série deixar claro que Luke não mata e nem machuca ninguém – só os deixa desacordados – gostaria que Kid Cascavel fosse morto. Seria uma solução definitiva para o vilão, assim como Jessica Jones fez com Kilgrave.

Esse último episódio também deixa grandes pontas para a próxima temporada e para Os Defensores, já que Claire disse que iria ligar para Matt, para que ele seja o advogado de Luke, o que só me deixa ainda mais ansioso pelo que virá por aí.

Fora os pontos negativos que foram ditos nesse texto, Luke Cage foi uma ótima série. Na minha opinião foi a melhor lançada até agora. Ela é melhor que Jessica Jones, que por sua vez é melhor que Demolidor. E digo mais uma vez: não é só luta. Digo que Luke Cage é melhor pelo conjunto do que foi feito e por tudo o que ele representou.

Nota:



quarta-feira, 12 de outubro de 2016

Resenha: Curtindo a Vida Adoidado

chefao_remast_dvds_bluray.qxp:atirador_blurayTítulo Original: Ferris Bueller's Day Off

Título Nacional: Curtindo a Vida Adoidado

Direção: John Hughes

Gênero: Comédia

Duração: 1h42min

Estreia: 19 de dezembro de 1986

Comprar (DVD)

Comprar (Blu-ray)

 

Curtindo a Vida Adoidado é um dos filmes mais famosos de queridos de John Hughes. Ele é um filme de aventura e comédia, sobre todas as loucuras que um adolescente pode fazer em seu tempo livre (mas claro que muita coisa ali não funcionaria na vida real). Alguns truques usados por Ferris para enganar os adultos se parecem com os que são usados por Kevin em Esqueceram de Mim, o que é bem a cara de John Hughes. É por causa disso, até, que acho que Curtindo a Vida Adoidado seja uma versão adolescente de Esqueceram de Mim, com a diferença que os truques dentro da casa não são o item principal e sim as aventuras fora de casa. Neste filme os vilões não são ladrões, e sim o diretor da escola, que como em todo o filme de John Hughes, é mostrado como um homem duro, rígido, insensível e que sente prazer em acabar com a vida dos alunos. Os professores são mostrados como pessoas chatas, que não provocam nenhum interesse dos alunos pelos assuntos, e a escola é vista como algo monótono ou um castigo.

Eu particularmente não acho Curtindo a Vida Adoidado isso tudo. É legalzinho e um pouco divertido apenas. Dá para passar o tempo. Tem filmes adolescentes melhores, mais divertidos e mais engraçados do próprio John Hughes, como Gatinhas e Gatões e A Garota de Rosa Shoking.

De um modo geral acho que os filmes adolescentes de John Hughes não só mostram a vida e a percepção de um adolescente, como também termina estimulando e influenciando quem assiste a seguir um mal caminho (e como é sempre mais fácil aprender e fazer o que não é certo, então a contribuição acaba sendo maior). Claro que existem as exceções, que são filmes apenas com uma boa história, mas neste filme por exemplo, a mensagem que ele deixa é: “A vida passa rápido demais, se você não parar de vez em quando para viver a vida, acaba perdendo seu tempo”. Ok, até certo ponto essa frase faz sentido, mas o que o filme diz que você deve fazer para “curtir a vida” é: falte a escola, engane seus pais, faça coisas erradas sem ter medo, apenas curta a vida e se divirta um pouco! E a mensagem dada através do personagem Cameron é essa: não tenha medo dos seus pais, enfrente-os! Não sei até que ponto esses filmes adolescentes são bons para um adolescente assistir.

Nota: