quarta-feira, 18 de outubro de 2017

Resenha: O Planeta dos Macacos (filme) (1968)

Título Original: Planet of the Apes

Título Nacional: O Planeta dos Macacos

Direção: Franklin J. Schaffner

Gênero: Ficção científica, aventura, drama

Duração: 1h48min

Estreia: 13 de junho de 1968

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Atenção: esta resenha contém spoilers (leves)!

O Planeta dos Macacos de 1968 foi o primeiro filme da famosa saga do Planeta dos Macacos, e este filme é o que foi baseado no livro de Pierre Boulle. Depois deste filme ainda se seguiram mais 4 filmes da década de 70, um remake em 2001, e o reboot de 2011, provando que esta é uma saga que sempre foi famosa e bem aceita pelo público, e que sempre dá para fazer boas histórias com ela.

O filme conta a história de 4 agentes espaciais que estão viajando para outro planeta, e ao chegarem lá percebem que os macacos dominam o planeta e escravizam humanos, os tratando como animais. O interessante desse paradoxo é que só conseguimos sentir como os nossos animais são maltratados quando vemos como os macacos do filme tratam os humanos. Nos soa bizarro e estranho ver, por exemplo, Taylor (também chamado de Olhos Claros), o personagem humano principal, levando um jato de água forte de mangueira, e entendemos como aquilo incomoda quando ele fica reclamando e pedindo para parar, ou quando prendem o seu pescoço com uma vara ou coleira. Essas são atitudes que nós fazemos com os animais e que achamos normais.

Outra coisa que o filme mostra de forma contrária, mas dessa vez de forma mais crítica, é na questão da religiosidade. É mostrado que os macacos têm suas crenças sobre a criação do mundo, que têm seus escritos sagrados, e que são contra a teoria que diz que o macaco evoluiu de um animal em comum dos humanos. É exatamente a nossa situação hoje, em relação aos religiosos e cientistas, criacionistas e evolucionistas. A crítica do filme aos que defendem a religião no nosso mundo fica muito clara, dizendo que quem acredita na religião é enganado e se deixa enganar por não aceitar de modo algum os fatos descobertos como verdadeiros pela ciência, que é o que os macacos do filme fazem. O filme ainda mostra que o líder dos macacos sabe de toda a verdade em relação à ciência, mas que prefere iludir os macacos com uma religião inventada, para que eles não saibam suas verdadeiras origens. Essa crítica sugere que as religiões do nosso mundo são meras invenções, pois o evolucionismo é uma teoria com provas irrefutáveis. Quanto à essa crítica sobre religião eu não gostei, e achei desnecessária (até porque no nosso mundo não temos evidência nenhuma tão forte quanto a mostrada pelo filme – um humano falante e inteligente – para comprovar o evolucionismo, fazendo uma crítica que desrespeita a fé e crença das pessoas).

Outra característica do filme que percebi, e que também podemos levar como uma crítica, é que os macacos que são os líderes do povo são albinos, enquanto os demais têm pelos pretos. Isso pode ser uma crítica, ou no mínimo um reflexo da sociedade da época, em relação à segregação racial, em que só os brancos eram os líderes, sendo os detentores do poder político, religioso e científico, enquanto os demais tinham outros tipos de trabalho. Sabemos que os Estados Unidos sempre foram preconceituosos em relação aos negros, ainda mais na década de 60, onde isso era muito mais forte que hoje em dia (sem comparações). É por isso que a posição dos macacos albinos pode ser tomada como uma crítica. Não acredito que eles tenham sido escolhidos aleatoriamente.

Falando mais sobre o filme, é interessante assistirmos filmes antigos como este de vez em quando para que possamos perceber como a tecnologia e o modo de fazer filmes evoluiu de lá para cá. Podemos perceber que os efeitos eram mais práticos, o que de primeira vista pode soar antiquado, mas que depois confere um ar de realismo que faz falta nas produções altamente computadorizadas de hoje em dia. Os cortes entre as cenas eram simples, os efeitos (como a cena da nave caindo na água) também, assim como alguns diálogos e frases são clichês (como: “Estamos em apuros!”), mas que ninguém ligava para isso na época.

Nota:




segunda-feira, 16 de outubro de 2017

Resenha: Noah Foge de Casa

Título: Noah Foge de Casa

Autor: John Boyne

Editora: Cia. Das Letras

Número de páginas: 200

Ano: 2011

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Frase de destaque: — Nunca queira ser o que você não é — disse o velho mansamente. — Lembre-se disso. Nunca deseje mais do que lhe deram. Seria o maior erro da sua vida.

De John Boyne, o mesmo autor de O Menino do Pijama Listrado, Noah Foge de Casa é mais um livro que conta uma história sob o olhar de uma criança. Ele é um livro mais infantil, podendo ser lido até mesmo por crianças, diferente de O Menino do Pijama Listrado e Fique Onde Está e Então Corra, que são livros com guerras como plano de fundo, o que deixa a história mais pesada e dramática para uma criança ler.

Noah Foge de Casa é diferente porque mergulha de cabeça na fantasia, trazendo elementos de contos de fadas. No começo você vai lendo como uma história comum, e aos poucos o autor vai dando dicas sobre quem é o fabricante de brinquedos. Quando finalmente você descobre, ainda no meio do livro, você se surpreende, com um misto de surpresa negativa e positiva. Positiva porque você não esperava por aquilo quando começou a ler o livro, e negativa, porque às vezes dá a impressão que o autor recorreu a isso por falta de criatividade. Não dá para saber ao certo se a ideia original do autor era escrever o livro do jeito que ele foi feito, ou se essa ideia surgiu enquanto ele escrevia porque não tinha um destino melhor para os personagens. Por outro lado, dar um destino para um personagem de conto de fadas conhecido por todos, escrever um futuro sobre ele, é uma boa ideia, e que abre várias possibilidades. Acho que John Boyne conseguiu trabalhar isso bem. É isso o que torna a história aceitável, porque desde o começo é estabelecido que esse é um livro de fantasia, e para crianças, já que até animais falantes ele tem. Não dá para criticá-lo por isso.

E no fim você vê que Noah Foge de Casa é um livro legal, e em alguns momentos um pouco engraçado, como já é de se esperar de um livro que é contado sob o ponto de vista de uma criança.

Nota:




quarta-feira, 11 de outubro de 2017

Resenha: O Poder dos Quietos

Título: O Poder dos Quietos

Autor: Susan Cain

Editora: Agir

Número de páginas: 334

Ano: 2012

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O Poder dos Quietos tem uma capa bonita. Ela é charmosa com sua cor vermelha e com aquele “Q” grande que faz chamar atenção para o nome “quietos”. O título do livro logo sugere que ele é de autoajuda, onde será falado sobre como os quietos podem ser bons e importantes e como quem é introvertido não deve se sentir mal por ser assim. Bem, não é exatamente isso. O Poder dos Quietos fala sim sobre a importância dos introvertidos (aliás, essa foi a primeira vez que vi essa palavra sendo usada, e então descobri que existe diferença entre ser introvertido e tímido) e fala sobre a importância deles na sociedade. Mas o livro vai além disso. Ele fala das diferenças entre introvertidos e extrovertidos, faz uma crítica ao mundo, que tem como modelo as pessoas extrovertidas (fenômeno este que Susan Cain, a autora do livro, chama de “o ideal da extroversão”), busca resultados de pesquisas científicas para comprovar suas teses, entrevista os pesquisadores que fizeram esses estudos e entrevista também pessoas introvertidas de diversas situações (pessoas casadas, estudantes de escola, universitários, etc.).

É um livro que eu diria que não é de autoajuda porque ele vai além dos clichês de dizer que você deve se sentir importante, e porque ele busca dados científicos e trabalha em cima deles. Achei o livro tão incrível e aprofundado, que depois dele o meu conceito de livro bom de não-ficção mudou. Agora já não me interesso mais por livros de autoajuda simples. Não estou falando que os livros de autoajuda são ruins. Não, eles são bons e servem para algumas pessoas que estão passando por determinados tipos de problemas. Os livros de autoajuda já foram úteis para mim antes. Mas depois de ler O Poder dos Quietos ganhei uma nova visão de mundo, um novo leque de informações que me fez querer ler mais livros desse tipo, mais livros com pesquisas profundas, mais livros com entrevistas com pessoas de verdade e com comentários de pesquisas científicas. Isso agrega muito conhecimento a quem lê.

Muitas das coisas que a autora fala são coisas que eu já pensava sobre a sociedade, e que as pessoas geralmente não compreendem, ou não percebem, como o preconceito com os tímidos e o modelo ideal de comportamento ser o do extrovertido, por exemplo. São coisas que eu já sentia dentro de mim e que já pensava por eu ser um introvertido e tímido, mas que até então era só uma opinião pessoal minha acerca do mundo. Essa identificação com o conteúdo do livro foi instantânea, desde a introdução.

No final Susan Cain dá dicas a quem é introvertido, chegando numa parte mais autoajuda. Achei que isso quebrou um pouco a identidade que o livro inteiro teve, mas acho que o objetivo da autora foi querer dizer tudo o que ela disse nas dicas, mas antes disso dar uma justificativa científica, para que o livro não fosse só as dicas e o conteúdo não ficasse superficial. Foi bom porque o que temos é um livro aprofundado, bem pesquisado e bem embasado. Imagino o trabalho que foi para escrevê-lo.

O Poder dos Quietos é um livro incrível. As pesquisas científicas citadas no livro e as entrevistas deixaram ele muito interessante. Não é à toa que se tornou um best seller. Se você é um introvertido e/ou tímido e acha que isso é um defeito, ou se você sente que o mundo lhe trata diferente por causa do seu jeito de ser, leia este livro. E se você é extrovertido e quer entender mais sobre o “mundo” dos introvertidos para lidar melhor com eles, leia também, mas com a mente aberta para tirar o máximo de proveito do livro. Recomendo muitíssimo a leitura.

Nota:




sábado, 15 de julho de 2017

Resenha: Moonlight – Sob a Luz do Luar

Título Original: Moonlight

Título Nacional: Moonlight – Sob a Luz do Luar

Direção: Barry Jenkins

Gênero: Drama

Duração: 1h51min

Estreia: 23 de fevereiro de 2017








Atenção: esta resenha contém spoilers!

Não entendi o sucesso de Moonlight – Sob a Luz do Luar, e também não entendi qual o objetivo do filme, do que ele se trata. É sobre uma comunidade de negros que vende e usa drogas? É sobre um menino bonzinho, e que por ter comportamento diferente dos outros meninos, sofre bullying e depois de adulto vira um grande traficante? É sobre um romance gay? Para mim pareceu que o filme atirou para todos os lados, sem se focar em uma coisa só. O filme acabou e eu disse: “É isso?”. Ele não merecia ter ganhado o Oscar de melhor filme de 2016. E Mahershala Ali, que eu acho um bom ator, aqui não me surpreendeu, e para mim não foi um grande papel a ponto dele também ganhar um Oscar de melhor ator coadjuvante. Não que ele esteja ruim. Ninguém está, todos tem atuações boas, principalmente os três atores que fazem as diferentes fases da vida de Chiron, o personagem principal, que conseguem dar uma só personalidade ao personagem (geralmente, quando atores diferentes fazem diferentes fases de um personagem, a personalidade de cada fase do personagem termina ficando diferente, então esse filme teve uma boa direção por não deixar que isso acontecesse). Mas as atuações são as únicas coisas que eu posso chamar de boas nesse filme. Todo o resto é bem sem graça, bem sem sentido, sem pé nem cabeça. Como eu disse antes, é um filme sem objetivo, um filme que pareceu que atirou para todos os lados.

Nota:




quarta-feira, 12 de julho de 2017

Resenha: Um Limite Entre Nós

Título Original: Fences

Título Nacional: Um Limite Entre Nós

Direção: Denzel Washington

Gênero: Drama

Duração: 2h19min

Estreia: 2 de março de 2017

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O início de Um Limite Entre Nós é bem parado. Apenas conhecemos Troy, o personagem principal, muito bem interpretado por Denzel Washington, seu amigo Bono e sua esposa Rose. Durante uma boa parte do começo do filme só vemos conversas entre esses três personagens, que mudam pouco de cenário, e em que o movimento da trama e a mudança de assuntos se dá com a saída e a entrada de personagens, quase como uma peça de teatro (porque esse filme foi baseado numa peça). Essa parte é a mais chata, só com várias conversas de temas variados, com Troy dominando toda a conversa com sua maneira de falar alto e alegre e contando histórias. Mas mesmo assim demora para o filme engrenar e mostrar a que veio.

É só a partir das revelações que são feitas acerca de Troy que as coisas começam a ficar mais interessantes e o filme ganha ritmo. Mas depois de assistir ao filme inteiro você percebe que aquele início mais demorado foi necessário, porque o filme todo gira em torno de Troy, que não é um personagem qualquer feito superficialmente, mas sim um personagem complexo de muitas facetas. Conhecemos o Troy amigo, o Troy marido, o Troy trabalhador e o Troy pai. São essas facetas, que são diferentes entre si, que fazem o personagem complexo. É necessário uma longa apresentação dele e da sua relação com as pessoas que lhe rodeiam para que você entenda mais os próximos acontecimentos. Não tem como justificar nada, não tem como aceitar nada numa boa, e é por isso que Um Limite Entre Nós é incrível. É muito fácil criar um personagem clichê, superficial e que tem seus problemas resolvidos facilmente. Mas é difícil criar histórias originais e complexas hoje em dia. Nisso August Wilson, o roteirista do filme, e também o autor da peça original, está de parabéns, assim como Denzel Washington, que além de atuar no papel principal, também é o diretor. Um Limite Entre Nós mostra os pontos positivos e negativos de um personagem sem tratá-lo como o mocinho ou o vilão, e sim apenas como uma pessoa comum, que tem sentimentos, qualidades e defeitos. Ele mostra que apesar do personagem tentar se justificar e achar que está fazendo o melhor sempre (ou achando que não deve mais nada a ninguém porque já faz o suficiente em trabalhar e sustentar todos), ele termina ignorando que as outras pessoas a sua volta também têm suas vidas, seus problemas, seus limites e suas vontades. O filme expressa isso de forma direta através de um diálogo de Rose, e indiretamente através de Cory, o filho.

É por tudo isso que Um Limite Entre Nós é um filme tão bom. Viola Davis está ótima no filme. Ela consegue entregar mais de si quando o filme deixa a longa fase de apresentação dos personagens e entra numa parte mais dramática, onde ela mostra com mais força a sua atuação. Ela ganhou o Oscar de melhor atriz coadjuvante merecidamente. Denzel Washington também está ótimo no filme e merecia ganhar alguma premiação. Só não gostei muito do final do filme, mas nada que o estrague.

Nota:




segunda-feira, 10 de julho de 2017

Resenha: Okja

Título Original: Okja

Título Nacional: Okja

Direção: Joon-Ho Bong

Gênero: Aventura, ficção científica, drama

Duração: 1h58min

Estreia: 28 de junho de 2017









Atenção: esta resenha contém spoilers (leves)!

O início de Okja parece com um filme infantil, mostrando a amizade de uma menina com seu animal de estimação. Os dois primeiros atos me lembrou muito Meu Amigo, o Dragão, com a diferença de que, apesar de Meu Amigo, o Dragão ser um filme bem dramático, é um filme infantil e tem um tom de fantasia, enquanto que Okja parece mais real e sério, desde o começo. Okja não é um filme para crianças. Apesar de se tratar de um animal que não existe e de ter uma protagonista criança, com uma trama que de longe é parecida com a de um filme infantil, este filme mostra um futuro distópico em que falta alimentação para a população mundial, e por isso novos animais têm que ser produzidos em laboratório para atender a demanda. Essa realidade e seriedade do filme fica ainda maior nos últimos 40 minutos, quando vemos a indústria de carne. As cenas não são forçadas e não induzem o espectador ao choro, mas você sente o peso das cenas e o “drama” dos animais ao longo desses últimos 40 minutos. Não são mostradas cenas fortes para causar pavor nas pessoas. É tudo muito real e frio. Dá pena e ver os animais. E deve ser exatamente essa a proposta do filme, fazer o espectador refletir sobre de onde vem o seu alimento, e fazer uma crítica às indústrias alimentícias de carnes, que visam só o lucro e maltratam os animais.

A atuação de Ahn Seo-hyun, que faz Mija, é muito boa. Você acompanha durante o filme os seus momentos de desespero, alívio, preocupação e determinação. A sua atuação nos ajuda a imergir nos sentimentos da personagem e no clima do filme. Pelo que eu vi na sua filmografia, ela é uma atriz de muitos trabalhos na Coreia do Sul, seu país de origem. Tilda Swinton também está bem (como sempre). O roteiro é bem amarrado, com ritmo (a partir do segundo ato), traz bons diálogos e apresenta bem os personagens. A direção de Joon-Ho Bong também é muito boa, assim como a fotografia. O único ponto negativo na parte técnica do filme é quanto a tradução dos diálogos entre a Mija e os americanos. Às vezes cada um fala na sua língua e todo mundo se entende, mesmo antes dela aprender inglês.

Okja é um bom filme, que nos faz refletir. Já li comentários de pessoas que viraram vegetarianas depois de assistir esse filme, e acho que muita gente pode mesmo tomar essa decisão baseado no que o filme apresenta, principalmente os mais sensíveis.

Nota:




sábado, 8 de julho de 2017

Resenha: Freaks and Geeks – 1ª temporada




Freaks and Geeks é uma daquelas ótimas séries que foi cancelada antes mesmo de completar a primeira temporada e que todo mundo se entristece por isso, porque a série não merecia. A série é sobre dois grupos de amigos adolescentes, os freaks, que são aqueles que poderíamos chamar de “os bagunceiros da sala”, e os geeks, que seriam “os nerds da sala”, e se passa no início dos anos 80. Essa é uma série sobre o comportamento adolescente, que aborda todas as questões e problemas de forma profunda e realista, sempre mostrando um motivo por traz de algum comportamento, e mostrando a complexidade dos sentimentos dos adolescentes.

O mais legal dessa série é que não existe em momento nenhum a estereotipação dos personagens. Eles são personagens complexos, profundos e algumas vezes problemáticos, muitas vezes tendo em sua família e em sua casa o motivo de serem assim. Todos eles têm seus problemas e defeitos. A série humaniza todos esses personagens. Além de mostrar que nem todos são somente aquilo que mostram ou aparentam ser, ela ainda mostra que às vezes nos enganamos com as pessoas só por aquilo que conhecemos. Como por exemplo, a série nos faz torcer pelo acontecimento de 2 casais, mas quando eles finalmente acontecem, percebemos, junto com os próprios personagens, que como casal eles não combinam. E para mostrar que eles não combinam não existe muita enrolação, tudo é mostrado na hora. A série valoriza muito a relação humana entre os personagens, porque é sobre isso que ela se trata. Por isso ela não fica fazendo suspense para os próximos episódios. Cada episódio conta uma história, que tem início, meio e fim. Mesmo que algo fique pendente para o próximo episódio, você percebe uma finalização do roteiro ali. Quando algo não dá certo, ele mostra na hora.

O começo da série foca mais na família Weir, em que os principais são Lindsay e Sam, mas aos poucos os demais personagens vão ganhando o seu destaque, e eles também vão tendo episódios que falam mais sobre si e suas famílias. Até mesmo os personagens coadjuvantes, aqueles que geralmente nunca são desenvolvidos pelas séries, aqui têm o seu espaço e o seu momento de mostrar um pouco mais de si, da sua vida e dos seus problemas.



Acho também que essa é uma ótima série para pais e professores assistirem para entender mais da complexidade do comportamento dos adolescentes, sem querer generalizá-los ou achar que estão fazendo as coisas por implicância. A série trata de relação entre amigos, relação entre pais e filhos de diferentes tipos de família, traição, romance, chegada de um namorado novo da mãe, castigo dado pelos pais, perdas, a descoberta de uma nerd de que pode se divertir mais, da responsabilidade pelo que faz, frustração, preocupação dos pais, e tantos outros.

Comparando com Anos Incríveis, eu diria que existem semelhanças, mas elas são poucas. Anos Incríveis é mais romântico e se trata da descoberta da adolescência e do amor. Existem episódios que falam do relacionamento entre amigos, entre família, entre namorados e entre os outros alunos da escola, mas são episódios mais únicos, e que sempre giram em torno dos temas da amizade e do romance. Anos Incríveis é ótimo, e não é melhor e nem pior que Freaks and Geeks, não tem como comparar. Eles são séries com objetivos diferentes. Freaks and Geeks está mais focado no comportamento adolescente em si e em todo o tipo de relacionamento que os envolvem, enquanto Anos Incríveis fica mais no campo da amizade e romance.

Freaks and Geeks, mesmo com apenas 18 episódios, é uma série rica em acontecimentos e discussões sobre relacionamentos e comportamento adolescente. Dá para aproveitar e entender muita coisa a partir dessa série. Essa é realmente uma obra prima, que infelizmente, por motivo de baixa audiência, foi cancelada prematuramente, mas goza até hoje de boa fama e recomendações. Seria muito bom se houvesse um reboot dessa série. Se não fosse na TV aberta, que fosse então na TV paga ou na Netflix. Recomendo fortemente que todos assistam.

P.S.: Façam uma pesquisa no Google e descubra que apesar de ser uma série bem curta, o elenco tirou várias fotos juntos. Tem algumas em boa qualidade aqui e outras aqui. E vejam também essas fotos do reencontro deles em 2013.

Nota: