sábado, 17 de junho de 2017

Resenha: Supergirl – 2ª temporada



Atenção: esta resenha contém spoilers!

A 2ª temporada de Supergirl continua com a mesma fórmula da temporada anterior ao fazer histórias com um vilão para cada episódio. É essa simplicidade de Supergirl que conquistou o seu público. A diferença é que nesta temporada outras histórias e personagens são aprofundados, dando uma sensação maior de continuidade do que a temporada anterior tinha. Isso é bom porque se a série continuasse no mesmo ritmo que a temporada anterior, um dia iria enjoar, porque as pessoas não ficariam motivadas a assistir o próximo episódio. Então vemos que a nave que surgiu no último episódio da 1ª temporada, trazia Mon-El, o príncipe do planeta Daxan, que depois vira o namorado de Kara. Vemos que Winn ganha uma namorada, J’onn começa a ter um interesse amoroso, Jimmy vira vigilante (que aliás, ficou muito bom, apesar das pessoas criticarem muito), Alex também ganha um envolvimento amoroso, e o mistério sobre o pai de Alex e Kara é um pouco mais desenvolvido, mas não concluído. Toda essa adição de personagens, que na sua maioria serviu como interesses amorosos, mas que também tiveram seus próprios desenvolvimentos, serviu para criar histórias além das lutas da heroína contra os vilões, e servir para dar essa continuidade entre os episódios que eu falei.

Mas claro que nem tudo são flores. Um dos problemas dessa temporada é que ela não tem uma grande vilã bem definida. No começo foi apresentado Lillian Luthor, a mãe de Lex e Lena Luthor, como a possível grande vilã da temporada, e só depois é que surge Rhea, a mãe de Mon-El, que é a verdadeira grande vilã. A série nos confunde sobre a grade vilã da temporada pela forma que tratou Lillian Luthor. Não sei se isso foi feito propositalmente para confundir o espectador sobre quem seria a grande vilã da temporada, ou se isso foi simplesmente um erro da produção, em mudar o foco desse jeito ou um erro na construção dessas personagens. Digo que acreditei que a mãe de Lena fosse a grande vilã, porque ela aparecia sempre, foi sendo desenvolvida e fazia Kara sofrer. Os próximos passos seria Kara se fortalecer e tentar achar maneiras de se livrar daquele problema, para no final acabar com ela. Mas não foi isso o que aconteceu. A trama com Lillian Luthor foi quebrada, deram espaço a tramas de vilões menores e dos outros personagens coadjuvantes, para só então Rhea ser introduzida.

Outra coisa que não gostei muito foi o romance gay de Alex e Maggie. No começo achei super forçado, mas depois vi que elas estavam sendo bem desenvolvidas. Apesar do romance começar de uma hora para a outra, admito que não ficou forçado no restante da temporada. Eles souberam tratar dessa questão com seriedade e delicadeza. Mesmo assim acho que esse era um romance que a série não precisava.

Cat Grant não participa dessa temporada, e faz falta, porque ela é uma personagem muito carismática e engraçada pelo seu jeito de ser. Ela apenas fez participações no início e no final da temporada, que ficaram muito boas. No final é incrível a revelação que é feita: ela sabe que Kara é a Supergirl!!! Ela não foi enganada na temporada anterior. É incrível essa habilidade dela de saber a identidade secreta de todo mundo (ela não só não descobriu que Clark é o Superman, ou pelo menos isso não foi revelado ainda). Parece até um superpoder rs. Queria vê-la no elenco fixo da próxima temporada.



E ainda teve a primeira aparição de verdade do Superman, e foi muito legal ver. Ele apareceu nos dois primeiros episódios e no último. Nos dois primeiros episódios ele se mostrou ser o Superman de verdade em sua essência, o Superman que todos os fãs queriam ver no cinema, ao invés daquele dramático e afetado de Zack Snyder. Ele é sorridente, alegre e alto astral (parecido com a Supergirl até). Ele é quase uma figura mítica e você percebe isso com a reação de todos quando o veem de perto, mesmo estando acostumados a ver a Supergirl diariamente. Isso é porque o Superman é diferente, ele é o grande herói, que todo mundo conhece, mas nunca o viu de verdade, o grande herói que já salvou a Terra várias vezes (apesar da série não mencionar isso). Ele foi tão bem trabalhado que mesmo aparecendo nesses episódios, não roubou a cena e nem o protagonismo de Kara. Ele estava lá com ela, lhe ajudando a salvar pessoas, mas ela era a heroína que fazia a diferença no final. Eles têm uma dinâmica muito legal quando estão juntos. A série não prolongou a sua presença, o que foi bom, porque o Superman tem suas próprias histórias e sua própria cidade para cuidar. Ele não pode ficar sempre ao lado da Supergirl, até porque se isso acontecesse ele iria virar um personagem coadjuvante da série. Mas um problema que eu vejo nesse Superman é que ele é fácil de manipular. No último episódio ele tem sua mente dominada por um tipo de kriptonita. O problema é que ele já teve a sua mente dominada antes, na temporada anterior. E para completar, no último episódio, ele luta com Kara, e ela vence (claro, a série é dela). Mas tudo isso termina deixando o Superman mais fraco do que ele realmente é. Mostra ele como uma pessoa vulnerável que pode ter sua mente facilmente manipulada e ser facilmente vencido por outro alienígena ou pessoa com tecnologia.

O final deixou um gancho para a próxima temporada que trará um novo grande vilão, que provavelmente também irá querer dominar a Terra. Confesso que não me animei muito com esse gancho, e por isso não estou ansioso pela próxima temporada (mas vou assistir mesmo assim) porque essa segunda temporada já tratou de uma vilã que quis dominar a Terra. Desse jeito as histórias começarão a ficar repetitivas. Eles terão que arrumar um jeito de trabalhar diferente o novo vilão, para manter o interesse dos espectadores, assim como The Flash tem feito até aqui com seus vilões velocistas.

Fora esses probleminhas falados aqui, Supergirl continua uma série boa, e mesmo o gancho não tendo me instigado, vou continuar acompanhando.

Nota:




quarta-feira, 7 de junho de 2017

Resenha: Kong – A Ilha da Caveira

Título Original: Kong – A Ilha da Caveira

Título Nacional: Kong: Skull Island

Direção: Jordan Vogt-Roberts

Gênero: Aventura, fantasia, ação

Duração: 1h59min

Estreia: 9 de março de 2017






Kong – A Ilha da Caveira é aquele tipo de blockbuster feito só para ganhar dinheiro. É um blockbuster bem feito, no entanto. Tem alguns efeitos de explosão ruins (principalmente no começo do filme), mas que aos poucos vão melhorando. Os efeitos de Kong e dos outros seres ficaram bons. A cena da briga final (como não podia deixar de ter) também é boa, mas é só. O filme é mais sobre uma aventura de cientistas e soldados que se juntam para desbravar uma ilha perdida, da qual descobrem que existem seres gigantes vivendo nela, entre eles Kong, o rei, do que um filme do King Kong propriamente dizendo. Vemos mais cenas dos atores em sua aventura tentando sobreviver aos ataques dos outros seres, do que o King Kong em si sendo o protagonista. Ele aparece de vez em quando para mostrar a sua força e para mostrar que protege os que não lhe atacam. Só a briga no final é a realmente boa e que valeu a pena ter visto.

No elenco estão grandes nomes como Samuel L. Jackson, Brie Larson e Tom Hiddleston, mas todos eles são desperdiçados com um roteiro fraco num filme de aventura genérica. Parece que a escolha desses atores não se deu pelo seu potencial ou talento e sim pelo nome que eles têm e pelo chamariz que poderiam trazer ao filme, que mesmo sendo de um personagem já conhecido, poderia vir a não dar certo se não tivesse atores mais conhecidos. A pior posicionada ali é Brie Larson, ganhadora de um Oscar, mas que nesse filme é só uma fotógrafa sem personalidade. Total desperdício de atores.

Como filme passatempo, Kong: A Ilha da Caveira é um bom filme. Mas ele não é nada além disso. É um filme para se divertir. Não tem um roteiro bem escrito, não tem uma história boa de verdade, e Kong é só mais um dos grandes seres vivos naquela ilha. Esse filme foi mais sobre dar uma introdução a Kong para que seja possível o filme do Godzilla vs Kong, como apenas uma peça que precisava ser colocada para a grande peça que ainda virá.

Nota:




segunda-feira, 5 de junho de 2017

Resenha: 13 Reasons Why – 1ª temporada

13 Reasons Why - 1ª temporada

13 Reasons Why ficou conhecida como a série produzida por Selena Gomez, e daí veio o grande chamariz da série. Quando soube que essa seria uma série baseada num livro, logo tratei de lê-lo, para que soubesse qual era a visão do autor do livro, já que as adaptações sempre mudam algo, ou para pior ou para melhor, e também porque eu sempre prefiro ler o livro antes de ver a sua adaptação para filme ou série (salva poucas exceções). A minha resenha do livro você pode ler aqui:

Inicialmente achei que o livro seria melhor adaptado para um filme do que para uma série, porque teriam que inventar muitas coisas para encher os episódios. Mas me surpreendi. Logo de cara achei a série muito fiel ao livro, mesmo mudando algumas coisas, que são normais por se tratar de uma série, mas conseguindo se manter fiel ao livro e com uma ótima qualidade de produção.

Os atores são ótimos. De primeira você já gosta das atuações de Hannah (Katherine Langford) e Clay (Dylan Minnette). Sobre os personagens em si eu fui mudando de opinião ao longo da série, porque eles tiveram mudanças de comportamento em relação ao livro que os fizeram não serem tão autênticos assim. Vamos começar com Tony, que desde o começo segue Clay indiscretamente, sendo bem inconveniente. Para se acostumar com ele demora um pouco. Você só se acostuma depois que ele prova ser um amigo verdadeiro para Clay e que demonstra estar sempre preocupado com ele, e que na verdade é Clay que não está no seu perfeito juízo.

13 Reasons Why - 1ª temporada (2)

Clay, por sua vez, ainda é o menino tímido do livro, mas não tanto assim. O Clay da série é mais corajoso e não tem medo de falar com ninguém, mesmo que saiba que está correndo perigo. No livro, Clay mal falava com Hannah, enquanto o Clay da série tem uma amizade com ela (que ficou bom, convenhamos). Mas o que esse Clay da série é mesmo, é um tremendo chato. Ele é julgador, quer tirar satisfação com todo mundo, culpar todo mundo, como se ele tivesse acima de todos e fosse o único que não tivesse culpa de nada só porque era apaixonado por Hannah. Ele sabia que estava nas fitas, ele sabia que era um dos culpados, mas mesmo assim agia como se todos fossem culpados, menos ele. Sério, Clay é muito chato. Teve um momento que eu já não aguentava mais ele com seus surtos e essa sua posição de querer tirar satisfação com todo mundo, fora as constantes brigas com Tony. Aliás, coitado de Tony, que suportou isso. Outra coisa que não gostei no personagem é que ele demorava muito para ouvir as fitas. Enquanto o Clay do livro fica ansioso para ouvir a sua fita logo, e por isso ouve todas as fitas numa noite só, como qualquer pessoa faria, o Clay da série fica enrolando e é a pessoa que mais demora a ouvir tudo. É claro que a série tinha que fazer algo desse tipo, para que fosse possível transformar um livro numa série de 13 episódios, mas ficou bem enrolado. Dava vontade de gritar com ele dizendo para ele ouvir aquilo de uma vez por todas. Outra diferença é que o Clay do livro é mais bonzinho. Enquanto no livro ele dizia "eu não quero acreditar" em relação aos boatos, na série ele meio que acredita nos boatos e participa deles, inclusive decepcionando Hannah uma vez. O Clay do livro não é vingativo e não faria mal a ninguém, mas o da série tira uma foto de Tyler trocando de roupa e repassa para todo mundo como forma de vingar Hannah. Ele acha ruim o bullying que cometeram com Hannah, mas continua essa cadeia, praticando ele mesmo o bullying com outra pessoa. E quando a sua mãe lhe perguntava alguma coisa sobre Hannah, quando ele tinha a chance de que a verdadeira justiça fosse feita, simplesmente se omitiu.

Hannah é muito bem interpretada por Katherine Langford, mas teve uma coisa na construção da personagem que me incomodou, que é que nos primeiros episódios, mesmo depois das coisas ruins que aconteceram na sua vida, que fazem parte dos porquês, ela sempre voltava no próximo episódio sorridente e feliz, como se aquilo que tivesse acontecido no episódio anterior tivesse lhe afetado só momentaneamente, mas depois ela já tinha voltado ao normal. Isso termina tirando o peso dos “13 Porquês”. Só a partir do episódio 6 é que os porquês começam a ficar mais pesados e aí sim podemos ver o começo da degradação de Hannah, que se inicia aos poucos até chegar ao último episódio, onde ela não aguenta mais. Só a partir do episódio 7 é que percebemos uma Hannah mais triste e depressiva, depois dos acontecimentos do episódio 6, porque até então, ela sofria mas depois estava bem de novo.

13 Reasons Why - 1ª temporada (3)

As montagens das cenas entre o passado e presente são bem feitas e bem sutis, e dá para ver a diferença nas cores dos cenários e das roupas. Nas cenas do presente é tudo cinzento, para reforçar o drama atual vivido por Clay e pela escola pelo suicídio de Hannah, enquanto as cenas do passado tem alguns tons mais coloridos e esverdeados, mostrando um mundo supostamente mais colorido, mas que não era tão diferente assim do atual, mas que vem naquelas cores porque remete à lembranças do passado, onde as coisas eram supostamente mais leves e normais.

A trilha sonora também é muito boa, isso você percebe desde o primeiro episódio.

Por se tratar de uma série, muitas coisas são mudadas em relação ao livro, e todos os personagens coadjuvantes são aprofundados. Eles vão além dos casos contados por Hannah nas gravações. Eles têm vida, família, relacionamentos, problemas. São personagens complexos. Isso foi algo legal que a série fez, para não estereotipar todo mundo como o pessoal do mal e a vítima. Mesmo criando muitas coisas que não estão presentes no livro, é incrível como ele ainda consegue se manter fiel. O ritmo da narrativa é bom (com exceção da demora de Clay ouvir as fitas e ficar perturbando todo mundo), e nada sai dos trilhos. Tudo anda conforme a identidade da história original. Para uma série, onde teoricamente as coisas seriam mais fáceis de desandar, porque daria liberdade de várias narrativas diferentes e distantes da história do livro, esta série está de parabéns. Muitos roteiristas e diretores não conseguem fazer uma adaptação de livro para filmes que seja realmente boa, e mesmo tendo cerca de 2 horas para contar a história de um livro, conseguem inventar coisas que não estão no livro e se distanciar totalmente dele, tirando até a sua identidade, como o caso do livro O Orfanato da Srta Peregrine Para Crianças Peculiares com o filme O Lar das Crianças Peculiares, só para citar um exemplo (porque tem vários). Esta série é um exemplo de que é possível fazer uma boa adaptação e ter liberdade criativa, mas desde que a essência do livro e os principais acontecimentos sejam mantidos. Por se tratar de uma série, que vai construindo e apresentando os personagens aos poucos, nós vamos criando vínculo com eles facilmente, e talvez isso mais ajude do que prejudique na nossa adaptação à forma que os personagens e a história estão sendo apresentados. Teve episódio que era bem distante do livro, mas todos os principais acontecimentos do capítulo do livro correspondente estavam lá, então isso é o que importa.

Outra liberdade criativa que deu certo foi a inserção dos pais de Clay e de Hannah, mas principalmente dos de Hannah, porque o livro não conta o que aconteceu com eles. Como eles são os pais dela, e isso é uma série, dando oportunidade para vários personagens se desenvolverem, é importante saber como eles reagiram ao suicídio da sua filha e como estão lidando com isso. Essa foi uma parte da história muito boa, porque a série mostra que não se trata só dos estudantes e da escola, e que não se trata só dos “porquês”, mas também do futuro desses personagens. A partir de agora eles ganharam vida própria e independente do livro, e é por isso que haverá uma segunda temporada. Acredito que ela será de qualidade, justamente porque conseguiu criar personagens complexos e bem desenvolvidos na primeira temporada, que deixou muitas pontas, dando para desenvolvê-los ainda mais na segunda temporada.

13 Reasons Why - 1ª temporada (4)

A cena de Hannah se matando é bem forte. Não existe trilha sonora de fundo nesse momento. Tudo fica parado, apenas mostrando ela colocando o fim na sua vida e mostrando a sua dor. As coisas começam a ficar mais fortes a partir do episódio 6, e a cada episódio que passa, as coisas vão ficando mais pesadas. No episódio 12 tem a cena mais forte de todas, e no 13 tem o suicídio, que supera todas as outras cenas.

Essa cena do suicídio foi polêmica, porque ela foi acusada (assim como o restante da série) de ter romantizado o suicídio, e por isso poderia estimular outras pessoas a cometerem suicídio também. Por outro lado, o número de pessoas que ligaram para o número de emergência de pessoas que querem cometer suicídio aumentou largamente depois da estreia da série. Eu vejo que 13 Reasons Why pode trazer tanto boas quanto más influências, dependendo de quem está assistindo. Eu recomendo que todos assistam, pais, professores, orientadores, coordenadores e diretores de escolas, para que possam entender mais o comportamento dos adolescentes e possam identificar sinais de que eles não estão bem, além, é claro, dos próprios adolescentes, que têm que entender que todas as suas palavras e atos podem prejudicar uma pessoa e podem fazê-la se sentir mal consigo mesma, mesmo que feito intencionalmente ou só de “brincadeira” (que geralmente só tem graça para quem faz). Mas para as pessoas que já têm sinais depressivos, mesmo que poucos, eu não recomendo assistir, porque essa série pode sim estimular o suicídio, ou afirmar ainda mais o desejo de quem já tem isso em mente.

Considerações feitas, posso concluir que 13 Reasons Why é uma ótima série. Ela tem um objetivo e cumpre esse objetivo. Ele tem um público definido e tem uma mensagem, que foi passada. O livro é mais conciso nisso e também passa essa mesma mensagem. A adaptação do livro foi muito boa, a série é muito fiel ao livro, apesar de todas as mudanças. Tem muita coisa aí para ser contada ainda, e por isso faz sentido uma segunda temporada.

Nota:



quarta-feira, 31 de maio de 2017

Resenha: Punho de Ferro – 1ª temporada

Punho de Ferro - Netflix - 1ª temporada

Atenção: esta resenha contém spoilers!

Quando assisti ao primeiro episódio de Punho de Ferro a sensação que eu tive é que essa seria uma série mais clara do que as outras séries da Marvel/Netflix. E ela realmente é. As cenas noturnas são poucas, e mesmo as cenas diurnas tendo um tom mais escuro e acinzentado, não chega a ser tão escuro quanto as outras séries, como Jessica Jones, por exemplo. Também, desde o primeiro episódio você já percebe o bom humor da série, que está presente nas situações e nos personagens. Apesar do drama (que é bem mais leve que os das outras séries), essa é uma série bem humorada, porque seu protagonista é bem humorado.

Outra coisa de Punho de Ferro que gostei foram as referências às outras séries da Marvel/Netflix, que estão presentes na temporada inteira. Enquanto as outras séries faziam referências aos heróis dos filmes, para mostrar que estão no mesmo universo, Punho de Ferro se preocupou mais em mostrar que as séries estão no mesmo universo. Gostei quando apareceu Hogarth, logo no terceiro episódio, porque pelo menos entrou uma personagem já conhecida e que foi bem desenvolvida em Jessica Jones. Ela é uma personagem forte e carismática, e a sua aparição nessa série foi boa para ajudar no elenco de personagens coadjuvantes, que no começo não me agradou muito. Foi só uma pena que ela teve participação breve. Mas é bom ver esse tipo de conexão entre os personagens das séries indo além de Claire.

Falando sobre os personagens coadjuvantes, de um modo geral são todos bons, mas no começo nenhum deles me convenceu. Só Joy que consegui gostar desde o começo, porque ela é um enigma (e continua sendo em todos os episódios), sempre mudando de lado. Às vezes ela está do lado do bem, às vezes não, mas não se dá conta disso. Ela tem uma forte batalha interna sobre os interesses da empresa, o lucro e o seu crescimento pessoal contra a sua moral e ética.

Punho de Ferro - Netflix - 1ª temporada (2)

Colleen no começo é bem chata, e acho sem sentido aquelas lutas livres que ela participa, porque aquilo não se encaixa em lugar nenhum. Depois dela ter feito a recomendação aos seus alunos para que não lutassem por dinheiro, é isso o que ela faz. E depois, do nada ela desiste. Essa parte fica deslocada do restante da série, e poderia ser descartada. Acho que o criador da série não tinha ideia de como desenvolvê-la no começo, e por isso fez assim. Só depois dessa fase, quando do nada (de novo) ela decide ficar do lado de Danny, é que as coisas vão melhorando. Ela vai além de uma professora de lutas, e aos poucos vamos descobrindo isso. Essa parte do seu desenvolvimento (que por sorte é a que vemos na maior parte da temporada) é mais interessante.

Outra personagem chata, mas não só no começo, é Claire, a nossa amada Claire. Em Luke Cage ela já tinha decidido que a sua missão no mundo era esta: a de ajudar pessoas com superpoderes. Mas logo quando ela conhece Danny acha ruim essa sua “sorte”. E ela fica chata durante vários episódios, sendo uma pessoa grossa e que parece que está fazendo aquilo só por obrigação. Ela vive reclamando e dando lição de moral. Só nos últimos episódios, já acabando a temporada, é que ela melhora e passa a parecer mais com a Claire que já conhecíamos. Eu também achava ela chata em Demolidor, mas espero que em Defensores ela não fique assim, porque essa é uma fase que já passou. Já está mais do que na hora dela se aceitar nesse seu ofício.

Harold e Ward são dois personagens que foram bem desenvolvidos do início ao fim. Os dois mudam ao longo dos episódios, mudando pensamentos, comportamentos e personalidades. David Wenham, que faz Harold, e Tom Pelphrey, que faz Ward, atuaram muito bem.

E o grande vilão, mas que não recebe todo o foco de Danny, é o Tentáculo, representado pela Madame Gao, que nos surpreende várias vezes. Ela se mostra imponente, poderosa, sábia e manipuladora. Ela sabe de tudo, não deixa nada barato e tudo o que faz tem um motivo. Em Punho de Ferro descobrimos que ela tem poderes, mas ao mesmo tempo não sabemos quais são exatamente e nem qual a extensão deles. Também não sabemos em detalhes a sua origem e nem como se tornou quem é. O negócio é que na temporada toda ela se mostrou poderosa, e descobrimos esse seu outro lado, que não sabíamos que existia quando ela apareceu pela primeira vez em Demolidor. Punho de Ferro não revela muita coisa sobre a véa Madame Gao, e ela ainda continua cercada de mistérios. Ela ainda pode nos surpreender muito.

Punho de Ferro - Netflix - Madame Gao

Davos aparece de forma estranha, como um cara mal encarado. Depois da revelação de quem ele é (o amigo de Danny em Kun-Lun) e da briga que ele teve com Danny, vi muita gente dizendo que ele era apaixonado por Danny e estava com raiva por ele ter escolhido Colleen. Eu nunca vi comentários e um raciocínio tão simplório como esse. Davos não era apaixonado por Danny, e a todo o momento a série deixa claro que o motivo da raiva dele é que primeiro, ele queria ser o Punho de Ferro, por já ser natural de Kun-Lun, enquanto que Danny, um estrangeiro, ficou com esse lugar. E o segundo motivo, que foi o pior para ele, é o fato de Danny ter abandonado Kun-Lun sem ter avisado nada a ninguém. Então pense comigo: Danny “roubou” o lugar de Davos como Punho de Ferro, e no fim de tudo abandonou o seu posto, o lugar que lhe acolheu, e o seu amigo. Ele tem motivos para ficar com raiva de Danny, principalmente porque, ao contrário de Danny, que é do mundo comum, Davos é natural de Kun-Lun, e por isso tudo o que ele faz e acredita é em nome da sua terra, das suas crenças e do seu povo. Ele só defende aquilo que acredita. Ver Danny namorar Colleen foi só mais um fator, não pelo namoro em si, mas sim por ela ser do Tentáculo. A partir de certo momento passei a desconfiar que ele se tornaria um vilão, por tudo o que ele já tinha mostrado da sua personalidade e modo pensar, e isso foi confirmado no último episódio. Desconfio que ele se tornará uma espécie de Punho de Ferro do mal, com a cor da mão diferente, para diferenciar da de Danny. Não conheço os quadrinhos, mas foi isso o que a série me deixou de impressão.

A série tem alguns furos no roteiro de alguns episódios individualmente, mas nada que atrapalhe a experiência geral e nem a história como um todo. Às vezes o roteiro recorria a soluções fáceis, como a questão dele dirigir carro sem carteira. No início da temporada ele diz: “será que eu ainda me lembro do que meu pai me ensinou?”, mas ele era só uma criança na época! E depois já está dirigindo, mesmo sem carteira, e a desculpa é: “eu sou rico”, como se isso resolvesse todos os seus problemas.

Danny ainda não usa máscara e uniforme nessa primeira temporada, e parece estar muito bem assim, mas se mostrou perigoso. Jessica Jones teve problemas com a justiça, e Luke Cage ficou conhecido pela mídia e foi preso. Danny chegou a parar nos jornais. Pouca gente sabe que ele é o Punho de Ferro, mas os que sabem, inclusive o Tentáculo, já são o suficiente para lhe fazer correr perigo. Talvez, partindo desse ponto, ele precise colocar uma máscara no futuro, até porque ele é um empresário conhecido, uma pessoa pública.

Punho de Ferro - Netflix - 1ª temporada (3)

Teve gente esperando que os Defensores começasse a ser formado daqui, ou que no mínimo deixasse um gancho no final, mas isso não aconteceu. Gente, essa é a série do Punho de Ferro né? Na série dos Defensores é que todos irão se conhecer e se juntar. E isso não deverá acontecer em um episódio só. Acho que demorará alguns episódios. Algumas pessoas (ou muitas pessoas) poderão ficar decepcionadas com isso, já que não gostam de séries lentas, e preferem ação em cima de ação. Se você reparar, a cada nova série da Marvel e Netflix que vem sendo lançada a crítica só aumenta. Demolidor foi endeusado, Jessica Jones foi criticada, Luke Cage mais criticada ainda, e agora Punho de Ferro ainda mais criticada. As pessoas não aceitam que são séries diferentes, com personagens de personalidades e histórias diferentes. Os heróis não podem ser todos iguais, cada um tem o seu estilo. Se essa tendência de críticas continuar, a série dos Defensores, da qual está todo mundo ansioso, deverá ser a mais criticada de todas.

Vi muita gente reclamando das lutas fracas, mesmo Danny sendo o maior lutador de kung fu, e de gente reclamando da falta do uso do punho com mais frequência. Realmente, é decepcionante ver alguém que passou 15 anos recluso do mundo, treinando para ser o Punho de Ferro, e depois se tornar ele, mas mesmo assim ainda ter que receber conselhos dos monges, ter dúvidas que ele não deveria mais ter, mostrar certo esforço nas lutas, e nem saber tudo porque o seu treinamento ainda não foi completado (ou seja, 15 anos, se tornou o Punho de Ferro e ainda não completou o treinamento. Os vilões sabem mais sobre seus poderes do que ele mesmo). Isso realmente é decepcionante e eu concordo. Mas sobre as lutas em si, vi muitas comparações com as lutas de Demolidor, que segundo essas pessoas são melhores. Bem, Demolidor tem um estilo de luta de ataque e é algo mais brutal, enquanto Punho de Ferro tem um estilo de luta mais para a defesa, e é algo mais limpo, porque você não vê ninguém sangrando e nem sendo espancado. Nesse caso eu discordo das críticas, porque são estilos de lutas diferentes. Kung Fu é uma luta com movimentos mais leves e coreografados, que têm toda aquela beleza visual, mas que não é brutal como as lutas que Demolidor usa. Acho que as pessoas estão com expectativas erradas sobre essas séries da Marvel/Netflix, porque querem que todas se pareçam com Demolidor nas suas lutas, mas não é bem assim. Como eu disse mais acima, as pessoas têm que entender que cada série e cada personagem tem o seu estilo, eles não podem ser todos iguais. Agora claro, algumas lutas poderiam mesmo ser melhores, como a luta do último episódio. Danny lutava com alguém que não sabia lutar e mesmo assim apanhou muito. Ao longo da série era chato ver que Danny sempre tinha que apanhar até que ele finalmente ficasse 100% e lutasse com todo o seu potencial. A desculpa para isso é dito na própria série, quando ele diz que quanto mais apanha, mais força tem. Não deveria ser assim.

Apesar de todos os erros e defeitos citados aqui, eu gostei de Punho de Ferro, porque essa é uma série leve, mais clara e mais bem humorada. As outras séries da Marvel/Netflix são mais escuras, mais dramáticas (dramáticas até demais, como Demolidor), mais fortes (como Jessica Jones) e mais sérias. Punho de Ferro não saiu do estilo realista das outras séries, mas foi o mais distante dessas características presentes nas outras séries, e eu gostei justamente por isso, porque deu uma diferenciada. É bom assistir algo mais leve. Toda vez que acabava um episódio eu falava: “Mas já?!”. O final dos episódios não deixavam suspense para o próximo, mas mesmo assim eu ficava com vontade de assistir logo. O último episódio deixou uma boa ponta para a próxima temporada. Estou ansioso pelo que vem por aí.

Nota:



sábado, 29 de abril de 2017

Resenha: Os 13 Porquês (livro)

Os 13 Porquês - Jay Asher - CapaTítulo: Os 13 Porquês

Autor: Jay Asher

Editora: Ática

Número de páginas: 256

Ano: 2009

Comprar (livro impresso)

 

 

 

 

 

 

 

Inicialmente não achei Os 13 Porquês isso tudo. Era um bom livro, mas as primeiras gravações não tinham sido tão boas e convincentes. Mas tudo começa a melhorar aos poucos, até chegar ao ponto que as histórias lhe deixam de boca aberta. Os dramas vão ficando mais profundos e vamos compreendo mais Hannah. Isso acontece ainda no começo, antes da metade do livro. Também não me lembro de ter lido um livro do tamanho deste tão rápido. Acabei rapidinho, em apenas 4 dias!

Os 13 Porquês conta a história de Hannah, que antes de cometer suicídio (isso não é spoiler!) deixa gravado 13 fitas com histórias que contribuíram para essa sua decisão. As fitas são endereçadas às pessoas que fazem parte das histórias contadas, que depois de escutarem devem passar adiante para a próxima pessoa da lista.

O livro é muito bom, muito bom mesmo. Enquanto eu lia, ficava surpreendido com as descobertas, acho que tanto quanto Clay ficava (com a diferença de que suas emoções estão sendo diretamente afetadas pelo que ele escuta, já que ele tinha ligação com Hannah). A sensação é de estar lendo o diário de Hannah porque ela conta tudo o que se passou com ela. Ela conta os seus segredos e os segredos das pessoas à sua volta. Algumas histórias são surpreendentes, e outras você só consegue compreender se se colocar no lugar de Hannah e tentar entender seus sentimentos diante de tudo o que estava acontecendo. No fim de tudo você percebe que Hannah cometeu suicídio não pelos motivos em si, mas por toda a pressão que ela sentia devido aos fatos ocorridos. Ocorreram coisas sérias na vida de Hannah, e outros acontecimentos podemos até não considerar tão sérios assim, mas a verdade é que cada um tem uma forma de reagir aos mesmos eventos, e por isso devemos ficar atentos com quem estamos lidando, para não magoar ninguém. Como o livro mostra, o resultado pode ser bem ruim. Hannah tirou a vida porque não aguentava mais ser chamada do que não era, ser tratada de forma diferente, ser ignorada e não ter nenhum amigo de verdade com quem contar. Às vezes ela não se abria (como aconteceu no caso Clay), mas porque ela já estava cheia de problemas, já tinha passado por muita coisa e tinha medo de se aproximar de pessoas novas e ter uma nova decepção. Eu entendo isso, é uma forma automática de se proteger contra futuros problemas baseado nos problemas que você já teve no passado. O livro também mostra que é importante procurar ajuda profissional. Às vezes você tenta procurar ajuda com pessoas conhecidas, mas elas não sabem lhe ajudar porque não estão preparadas para isso, como aconteceu com Hannah. É necessário que essa pessoa que esteja passando por tantos problemas na sua vida, que se sente sob pressão o tempo todo, e que não tem amigos com quem contar, procure ajuda médica. Primeiro, antes de tudo, você deve reconhecer que está passando por problemas e ter vontade de acabar com eles. Depois você deve procurar a ajuda de um psicólogo e se abrir para que ele possa lhe ajudar. Se Hannah tivesse feito isso, talvez não tivesse cometido suicídio.

Mas a mensagem mais importante do livro, não é só o de procurar ajuda, e sim de sabermos que não podemos agir do jeito que quisermos com as pessoas, e que não devemos ignorá-las, porque isso pode prejudicá-las psicologicamente, o que sempre (SEMPRE!) é ruim.

Chegando ao final deu para ter uma ideia melhor de que não foi necessário grandes motivos no fim de tudo, mas apenas o acúmulo deles, mesmo que pequenos. Também deu para entender o comportamento de uma pessoa depressiva. O livro sugere em seu final, através da atitude de Clay, que ao identificar uma pessoa com sintomas depressivas, que se aproxime dela, para evitar o pior. Isso é o que devemos fazer, mas de forma sincera, para que realmente possamos ajudar aos outros.

A narração do livro é feita por Clay, um garoto que foi apaixonado por Hannah e recebe as fitas. A narração das gravações de Hannah e a narração das sensações e lembranças de Clay acontecem ao mesmo tempo, de forma entrelaçada. Nunca tinha lido um livro assim. É diferente, e dá um aspecto original ao livro de Jay Asher. Por causa dessa característica você tem que ler atentamente, para não se confundir e misturar as narrações. Em alguns momentos a narração paralela de Clay atrapalha um pouco, como quando ele diz para onde está andando ao mesmo tempo em que ouve as gravações, mas às vezes é de grande ajuda, porque ele complementa a narração de Hannah e em vários momentos é o responsável por deixar um tom de suspense na história, por só ir revelando as coisas aos poucos. Especialmente nos últimos capítulos, onde dá para ver o quanto Clay se importava com Hannah, e o quanto ele consegue ver Hannah se afundando cada vez mais no seu estado depressivo pré-suicida, mas dessa vez devido aos seus próprios erros. Nesses momentos dá para entender os dois lados. Mas não existe o lado certo e o errado. Existe apenas o lado mais fraco, que precisa de ajuda.

Nota:



quarta-feira, 26 de abril de 2017

Resenha: Logan

Logan - PôsterTítulo Original: Logan

Título Nacional: Logan

Direção: James Mangold

Gênero: Ação, aventura, ficção científica

Duração: 2h17min

Estreia: 2 de março de 2017

 

 

 

 

 

 

Vi muitos elogios a Logan. Todo mundo disse que esse era o filme definitivo do Wolverine, o filme que os outros deveriam ter sido mas não foram. Quando assisti, vi um filme com arco dramático forte, mas não forçado, com muitos tiros, lutas e sangue, se passando em 2029, uma época em que todos os mutantes estão mortos, e os que restaram são caçados. Mas o filme é só isso mesmo o que eu acabei de descrever. As lutas e as cenas de ação são boas? São sim, mas também não achei essa coisa magnífica e diferente que todos acharam. Na verdade achei parecidas com as de Wolverine: Imortal. O primeiro filme do Wolverine é mais fraco na ação, mas o segundo já tem cenas mais fortes. Você já vê Wolverine matando, e enfiando as suas garras no coração e na cabeça das pessoas. A diferença do segundo filme para este, é que neste filme esse tipo de cena é mais exposto e frequente, por não ter a limitação da classificação indicativa de 12 anos. Também tem muitos palavrões, para mostrar que ele é um filme com classificação maior. Pelo menos esse tom combina com o personagem. Outra diferença, é que apesar dos dois filmes partirem da premissa de um Wolverine mais fraco e sem o seu fator de cura, este filme é mais dramático, porque Logan não só está perdendo o seu fator de cura, como também está mais doente, mais velho e mais fraco. Mas de um modo geral a violência típica do Wolverine já estava presente no filme anterior. Neste filme ele só foi ampliado.

Não me lembro de ter ouvido uma trilha sonora marcante durante o filme, nem mesmo aquela música do trailer, que todo mundo gostou. Os sons mais frequentes nas cenas são das garras entrando e saindo da carne das pessoas, de tiros e de gritos, principalmente de Laura, a X-23. Apesar dessa falta de uma trilha sonora para colocar no fundo, o filme não fica parecendo parado, porque na verdade ele tem muito ritmo. Então termina que uma trilha sonora não fez falta.

Sobre Laura, eu gostei dela. É uma menina grossa e com maus modos, sendo muito parecida com Logan, mas ao mesmo tempo mostra que é só uma criança, e James Mangold teve o cuidado de mostrar isso numa cena. As cenas de luta dela são muito boas.

SPOILER: Uma cena que demonstra a parte infantil de Laura e ao mesmo tempo mostra o seu lado mais brutal é quando ela está brincando no cavalinho. Essa é a cena a qual me referi no parágrafo anterior. Outra cena dela que eu gostei é quando ela dá um murro na cara de Logan depois de ser contrariada. kkkkk

Ela tem uma relação estranha com Logan, mais por causa dele do que dela, mas mesmo assim ela vai deixando crescer um sentimento de filha em relação a ele, mas tudo isso secretamente, porque assim como Logan, ela não é muito de demonstrar sentimentos (mas também não é de ferro). Foi uma personagem bem construída e seria bom ver mais dela no futuro, principalmente se fosse junto com aquelas outras crianças mutantes do seu grupo.

A fotografia é boa e prevalece os tons de amarelo, para dar a sensação de seca e momentos difíceis, o que funciona.

Hugh Jackman está com uma boa atuação nesse filme. Fez bem o papel da pessoa cansada e doente. Outro ator com boa atuação é Patrick Stewart, que faz Charles Xavier. Ele deixa a sua postura séria e analítica, de quem sabe de tudo e manda em tudo, para viver um idoso comum: fraco, velho e frágil, com problemas na memória e com grande dependência de Logan.

SPOILER: O final é triste, mas acaba de vez com a saga do Wolverine, lhe dando um final, da mesma forma que também termina a saga do restante dos antigos mutantes que ainda estavam vivos. Foi também o final para Hugh Jackman, que fez um filme de qualidade, que agradou ao público e a crítica, e se despediu do seu personagem em grande estilo. Agora, se a Fox quiser continuar a usar o Wolverine, ou deverão fazer um reboot, ou contratar outro ator para substituir Hugh Jackman. Mas o ideal mesmo seria continuar a história de onde parou e usar a X-23.

Nota:



segunda-feira, 24 de abril de 2017

Resenha: Biblioteca de Almas

Biblioteca de Almas - Ransom Riggs - CapaTítulo: Biblioteca de Almas

Autor: Ransom Riggs

Editora: Intrínseca

Número de páginas: 416

Ano: 2016

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A diferença entre este livro e o anterior, Cidade dos Etéreos, já começa pelo nome: “Biblioteca de Almas”, que é um nome mais macabro, e que dessa vez tem a ver com a história, enquanto o nome “Cidade dos Etéreos” não tem a ver com a história do segundo livro. Outra coisa que o nome mostra, mas que só descobrimos depois de ler o livro, é que neste livro existe um aprofundamento da mitologia do mundo dos peculiares, surgindo novos conceitos e ambientes. Eu não tinha gostado tanto de Cidade dos Etéreos porque ele tinha perdido o suspense do primeiro livro e tinha virado uma história genérica de aventura. Nesse terceiro livro, ele ainda continua sem o suspense do primeiro livro, que dava algum medo, tendo apenas o suspense natural das partes de ação e aventura em que os personagens correm perigo. Em compensação, ele apresenta novos elementos do mundo dos peculiares, o que faz com que sua história não fique tão rasa e genérica quanto a do livro anterior, e que traga algo de novo e importante. Tudo isso faz Biblioteca de Almas ser melhor que o segundo livro, mas não melhor que o primeiro.

Um ponto negativo é que esse livro continua a ter aquelas soluções fáceis que aparecem no momento em que os personagens mais precisam. Esse é um ponto negativo que tinha em Cidade dos Etéreos, e que continuou tendo nesse livro. A diferença é que a história desse livro é um pouco mais complexa, o que não deixa isso tão óbvio assim, mas às vezes você vê bem a solução fácil encontrada pelo autor.

SPOILER: Exemplos de momentos com soluções fáceis: o livro começa com Jacob falando na língua dos etéreos do nada, quando está prestes a ser comido por um. E depois ele consegue controlar apenas esse etéreo, mandando ele fazer tudo o que ele quer, mas outros etéreos ele não consegue controlar (sempre de modo conveniente de acordo com o andamento a história). Quando a história precisa de mais força, do nada, só com um sonho (a mesma coisa aconteceu antes dele falar na língua dos etéreos pela primeira vez), ele ganha novos poderes e agora já consegue controlar todos os etéreos que quiser. Outro exemplo é na luta dos peculiares contra os acólitos. No momento em que os peculiares estão perdendo, Bentham surge do nada com seu urso e começa a lutar também.

Outra característica do livro anterior que permanece nesse é querer colocar características clichês de filmes de suspense para que o leitor imagine a cena (como por exemplo “o som do vento” num local desértico para deixar todos nervosos). É como se Ransom Riggs tivesse escrevendo o livro já pensando em sua adaptação para o cinema e descrevendo como gostaria que aquela cena ficasse.

Outra coisa que não gostei é que não é só o nome do livro que é macabro, mas várias coisas na sua história também, como o final, com a luta daqueles seres. Dá para imaginar eles de modo feio e diabólico pela descrição do livro. Não sei se isso tudo era realmente necessário. Parece que foi um esforço do autor em querer acabar o livro em grande estilo numa luta épica.

SPOILER: O final só sugere o que vai acontecer, mas não deixa claro o suficiente. A partir de certo momento do livro comecei a imaginar que algo aconteceria para que todos pudessem ficar juntos e felizes para sempre, fazendo com que Jacob pudesse ficar com seus pais e com seus amigos peculiares. Só não sabia como isso iria acontecer. Para todos os efeitos, é o que acontece. A Srtª. Peregrine diz que eles vão passar umas férias na casa de Jacob, mas ao mesmo tempo parece que ela está tomando o comando da casa para ela mesma, inclusive em relação aos pais de Jacob (que precisam ser “mantidos em rédea curta”). E depois a conversa de Jacob com Emma termina com um “temos tempo”, como se eles realmente fossem ficar ali no século XXI para sempre. Isso não ficou muito claro para mim. Outra dúvida que eu tive é: mesmo a contagem do tempo tendo sido reiniciada para todos os peculiares, por que a Srtª. Peregrine não criou uma nova fenda no tempo, mesmo que fosse no século XXI? Até porque de qualquer maneira, se eles ficassem ali, um dia todos iriam envelhecer e morrer, e os peculiares têm suas fendas no tempo para que continuem sempre vivendo. Outra: no primeiro livro a Srtª. Peregrine quer afastar os pensamentos das crianças sobre o século XXI, dizendo que não tem nada demais nos tempos atuais, mas agora ela faz questão de viver com Jacob neste século. Por que essa mudança de pensamento? No primeiro livro, também, as crianças não podiam sair da fenda e ficar tanto tempo fora dela para não envelhecerem, mas nesse livro Emma e Srtª Peregrine saem para levar Jacob até os seus pais, e ainda dizem que não envelhecem tão rápido assim. Isso não soa contraditório?

Enfim, Bibliotecas de Almas tem suas falhas, mas de um modo geral ficou melhor que o livro anterior. Só não supera o primeiro.

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Nota: