segunda-feira, 24 de abril de 2017

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Resenha: Biblioteca de Almas

Biblioteca de Almas - Ransom Riggs - CapaTítulo: Biblioteca de Almas

Autor: Ransom Riggs

Editora: Intrínseca

Número de páginas: 416

Ano: 2016

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A diferença entre este livro e o anterior, Cidade dos Etéreos, já começa pelo nome: “Biblioteca de Almas”, que é um nome mais macabro, e que dessa vez tem a ver com a história, enquanto o nome “Cidade dos Etéreos” não tem a ver com a história do segundo livro. Outra coisa que o nome mostra, mas que só descobrimos depois de ler o livro, é que neste livro existe um aprofundamento da mitologia do mundo dos peculiares, surgindo novos conceitos e ambientes. Eu não tinha gostado tanto de Cidade dos Etéreos porque ele tinha perdido o suspense do primeiro livro e tinha virado uma história genérica de aventura. Nesse terceiro livro, ele ainda continua sem o suspense do primeiro livro, que dava algum medo, tendo apenas o suspense natural das partes de ação e aventura em que os personagens correm perigo. Em compensação, ele apresenta novos elementos do mundo dos peculiares, o que faz com que sua história não fique tão rasa e genérica quanto a do livro anterior, e que traga algo de novo e importante. Tudo isso faz Biblioteca de Almas ser melhor que o segundo livro, mas não melhor que o primeiro.

Um ponto negativo é que esse livro continua a ter aquelas soluções fáceis que aparecem no momento em que os personagens mais precisam. Esse é um ponto negativo que tinha em Cidade dos Etéreos, e que continuou tendo nesse livro. A diferença é que a história desse livro é um pouco mais complexa, o que não deixa isso tão óbvio assim, mas às vezes você vê bem a solução fácil encontrada pelo autor.

SPOILER: Exemplos de momentos com soluções fáceis: o livro começa com Jacob falando na língua dos etéreos do nada, quando está prestes a ser comido por um. E depois ele consegue controlar apenas esse etéreo, mandando ele fazer tudo o que ele quer, mas outros etéreos ele não consegue controlar (sempre de modo conveniente de acordo com o andamento a história). Quando a história precisa de mais força, do nada, só com um sonho (a mesma coisa aconteceu antes dele falar na língua dos etéreos pela primeira vez), ele ganha novos poderes e agora já consegue controlar todos os etéreos que quiser. Outro exemplo é na luta dos peculiares contra os acólitos. No momento em que os peculiares estão perdendo, Bentham surge do nada com seu urso e começa a lutar também.

Outra característica do livro anterior que permanece nesse é querer colocar características clichês de filmes de suspense para que o leitor imagine a cena (como por exemplo “o som do vento” num local desértico para deixar todos nervosos). É como se Ransom Riggs tivesse escrevendo o livro já pensando em sua adaptação para o cinema e descrevendo como gostaria que aquela cena ficasse.

Outra coisa que não gostei é que não é só o nome do livro que é macabro, mas várias coisas na sua história também, como o final, com a luta daqueles seres. Dá para imaginar eles de modo feio e diabólico pela descrição do livro. Não sei se isso tudo era realmente necessário. Parece que foi um esforço do autor em querer acabar o livro em grande estilo numa luta épica.

SPOILER: O final só sugere o que vai acontecer, mas não deixa claro o suficiente. A partir de certo momento do livro comecei a imaginar que algo aconteceria para que todos pudessem ficar juntos e felizes para sempre, fazendo com que Jacob pudesse ficar com seus pais e com seus amigos peculiares. Só não sabia como isso iria acontecer. Para todos os efeitos, é o que acontece. A Srtª. Peregrine diz que eles vão passar umas férias na casa de Jacob, mas ao mesmo tempo parece que ela está tomando o comando da casa para ela mesma, inclusive em relação aos pais de Jacob (que precisam ser “mantidos em rédea curta”). E depois a conversa de Jacob com Emma termina com um “temos tempo”, como se eles realmente fossem ficar ali no século XXI para sempre. Isso não ficou muito claro para mim. Outra dúvida que eu tive é: mesmo a contagem do tempo tendo sido reiniciada para todos os peculiares, por que a Srtª. Peregrine não criou uma nova fenda no tempo, mesmo que fosse no século XXI? Até porque de qualquer maneira, se eles ficassem ali, um dia todos iriam envelhecer e morrer, e os peculiares têm suas fendas no tempo para que continuem sempre vivendo. Outra: no primeiro livro a Srtª. Peregrine quer afastar os pensamentos das crianças sobre o século XXI, dizendo que não tem nada demais nos tempos atuais, mas agora ela faz questão de viver com Jacob neste século. Por que essa mudança de pensamento? No primeiro livro, também, as crianças não podiam sair da fenda e ficar tanto tempo fora dela para não envelhecerem, mas nesse livro Emma e Srtª Peregrine saem para levar Jacob até os seus pais, e ainda dizem que não envelhecem tão rápido assim. Isso não soa contraditório?

Enfim, Bibliotecas de Almas tem suas falhas, mas de um modo geral ficou melhor que o livro anterior. Só não supera o primeiro.

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Nota: