quarta-feira, 12 de julho de 2017

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Resenha: Um Limite Entre Nós

Título Original: Fences

Título Nacional: Um Limite Entre Nós

Direção: Denzel Washington

Gênero: Drama

Duração: 2h19min

Estreia: 2 de março de 2017

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O início de Um Limite Entre Nós é bem parado. Apenas conhecemos Troy, o personagem principal, muito bem interpretado por Denzel Washington, seu amigo Bono e sua esposa Rose. Durante uma boa parte do começo do filme só vemos conversas entre esses três personagens, que mudam pouco de cenário, e em que o movimento da trama e a mudança de assuntos se dá com a saída e a entrada de personagens, quase como uma peça de teatro (porque esse filme foi baseado numa peça). Essa parte é a mais chata, só com várias conversas de temas variados, com Troy dominando toda a conversa com sua maneira de falar alto e alegre e contando histórias. Mas mesmo assim demora para o filme engrenar e mostrar a que veio.

É só a partir das revelações que são feitas acerca de Troy que as coisas começam a ficar mais interessantes e o filme ganha ritmo. Mas depois de assistir ao filme inteiro você percebe que aquele início mais demorado foi necessário, porque o filme todo gira em torno de Troy, que não é um personagem qualquer feito superficialmente, mas sim um personagem complexo de muitas facetas. Conhecemos o Troy amigo, o Troy marido, o Troy trabalhador e o Troy pai. São essas facetas, que são diferentes entre si, que fazem o personagem complexo. É necessário uma longa apresentação dele e da sua relação com as pessoas que lhe rodeiam para que você entenda mais os próximos acontecimentos. Não tem como justificar nada, não tem como aceitar nada numa boa, e é por isso que Um Limite Entre Nós é incrível. É muito fácil criar um personagem clichê, superficial e que tem seus problemas resolvidos facilmente. Mas é difícil criar histórias originais e complexas hoje em dia. Nisso August Wilson, o roteirista do filme, e também o autor da peça original, está de parabéns, assim como Denzel Washington, que além de atuar no papel principal, também é o diretor. Um Limite Entre Nós mostra os pontos positivos e negativos de um personagem sem tratá-lo como o mocinho ou o vilão, e sim apenas como uma pessoa comum, que tem sentimentos, qualidades e defeitos. Ele mostra que apesar do personagem tentar se justificar e achar que está fazendo o melhor sempre (ou achando que não deve mais nada a ninguém porque já faz o suficiente em trabalhar e sustentar todos), ele termina ignorando que as outras pessoas a sua volta também têm suas vidas, seus problemas, seus limites e suas vontades. O filme expressa isso de forma direta através de um diálogo de Rose, e indiretamente através de Cory, o filho.

É por tudo isso que Um Limite Entre Nós é um filme tão bom. Viola Davis está ótima no filme. Ela consegue entregar mais de si quando o filme deixa a longa fase de apresentação dos personagens e entra numa parte mais dramática, onde ela mostra com mais força a sua atuação. Ela ganhou o Oscar de melhor atriz coadjuvante merecidamente. Denzel Washington também está ótimo no filme e merecia ganhar alguma premiação. Só não gostei muito do final do filme, mas nada que o estrague.

Nota: